Após áudio, ministro do Trabalho demite secretário-executivo
Na gravação, o secretário aponta aparelhamento da máquina pública por partidos que comandaram a pasta

O ministro do Trabalho, Caio Vieira, dispensou seu secretário executivo, Admilson Moreira, depois que uma matéria publicada na Coluna do Estadão revelou um áudio dele enviado a um grupo de WhatsApp de auditores fiscais, em que aponta aparelhamento da máquina pública por partidos que comandaram a pasta, como PT, PDT, Solidariedade, PTB, além da Força Sindical e da bancada evangélica.
A dispensa está no Diário Oficial da União desta quarta-feira (21/11), conforme noticiado pela coluna.
Na gravação, Admilson afirmou que “a coisa degringolou mais ainda, porque juntou esse aparelhamento sindical à ânsia do PTB de se locupletar”. Ainda acusou a bancada evangélica de também ter bebido “dessa fonte” e o ministério, de não estar dedicado ao “interesse social”.
O áudio abriu uma crise na Esplanada dos Ministérios e motivou o ex-ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a entrar com requerimento de convocação de Caio Vieira na Comissão do Trabalho da Câmara. “O ministro vai ter de explicar também sobre as autuações de trabalho escravo a que responde”, diz Nogueira. A assessoria do Ministério do Trabalho não quis se manifestar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAos colegas auditores, Admilson traçava uma forma de “se infiltrar” na equipe de transição de Bolsonaro para poder defender a manutenção do ministério. Ele ainda acusou o coordenador de assuntos jurídicos de Bolsonaro, Pablo Tatim, de querer “fatiar” a pasta.
Procurado, o secretário disse se tratar de gravação “de interesse privado” e que apenas relatou fatos noticiados pela imprensa ao falar de aparelhamento por partidos. Em relação a Tatim, Admilson reafirmou a crítica e atribui a ele a ideia de desmembrar o ministério.



