Aníbal, o Ferreira Gomes que Ciro quer manter distância

Deputado tem histórico de denúncias e apoios políticos questionados pelo presidenciável do PDT e por sua família de políticos no Ceará

Reprodução/Facebook

atualizado 26/08/2018 7:55

Uma das mais tradicionais famílias da política brasileira, os Ferreira Gomes galgam o poder desde a chegada dos capitães portugueses Domingos Ferreira Gomes e Bernardino Ferreira Gomes ao litoral norte do Ceará, em 1790. Eles se instalaram em duas das principais cidades da região – e as dominam até hoje. Em Sobral, o clã é representado pelos descendentes de Domingos, os irmãos Ciro, Cid, Ivo, Lúcio e Lia (PDT). Em Acaraú, pelo ex-prefeito e deputado federal Aníbal Gomes (DEM), originário de Bernardino.

Mesmo ligados por seus antepassados, o núcleo sobralense tenta manter o acarauense o mais distante possível. Aníbal tem histórico de denúncias e apoios políticos questionados pelo presidenciável do PDT e seu irmão, o ex-governador do estado Cid Gomes. Em seu sexto mandato na Câmara, Aníbal até tenta, mas ainda vê distante um apoio formal dos pedetistas à sua reeleição.

O deputado cearense passou anos filiado ao MDB. No fim da janela partidária, em abril deste ano, migrou para o DEM. Em sua trajetória emedebista mais recente, Aníbal se ausentou na votação da admissibilidade do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foi contrário à autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgasse o presidente Michel Temer após denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

Também teve o nome ligado a esquemas de corrupção liderados pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) – todas atitudes reprovadas por Ciro Gomes. Mas, para Aníbal, o apoio formal de Ciro, Cid e da família é uma questão de tempo. “Eles ainda não devem anunciar sobre quem eles apoiarão para o Legislativo”, disse o deputado ao Metrópoles.

Ao lado do político alagoano, Aníbal Gomes foi envolvido em investigações da Operação Lava Jato. O deputado foi denunciado por “suposta prática dos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro”. Em delação, Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) afirmou que o político cearense era representante de Calheiros na negociação de propinas.

O deputado foi acusado de pedir R$ 3 milhões como contrapartida por interferências em um contrato da Petrobras em 2008. Aníbal nega qualquer ligação de amizade com o senador de Alagoas. O processo corre no STF. Além da condenação por corrupção e lavagem de dinheiro e perda do mandato, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a reparação de danos materiais e morais no valor de R$ 12,1 milhões.

Assassinato de primo
Em 1998, um crime chocou Acaraú. O então prefeito da cidade, João Jaime Ferreira Gomes, foi executado com um tiro no rosto em um escritório de Fortaleza. Seis anos antes, o prefeito gravara uma mensagem em fita cassete, denunciado três primos (Aníbal, Amadeu Gomes e Manoel Duca) por desvios de recursos públicos.

Nessa gravação, de 1992, João Jaime disse: “Se acontecer algo comigo de violência, que sejam responsabilizados os meus primos, que eu nem os considero mais. Aníbal, o Duquinha e Amadeuzinho. São esses três. Se algo acontecer, não é só comigo, mas com vocês, eles serão os responsabilizados. Peguem essa gravação e levem para autoridades confiáveis”. Aníbal e os irmãos foram envolvidos na investigação do assassinato. A Justiça cearense chegou a indiciar o deputado e Amadeu, mas eles não foram presos, por insuficiência de provas.

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