Análise: Weintraub mostra que seus erros vão além da gramática

Ministro chamou mãe de seguidora de “égua” e disparou contra a aparência de outro. Titular da Educação não tem noção da liturgia do cargo

Andre Borges/Esp. Metropoles

atualizado 18/11/2019 8:27

Até pouco tempo atrás, os principais erros do ministro da Educação, Abraham Weintraub, eram no domínio da língua portuguesa. Mesmo no cargo que é, em última instância, responsável por ensinar o vernáculo aos brasileiros, ele errava com frequência, tanto na ortografia quanto na gramática.

Nessa sexta (15/11/2019), não foi diferente. Em meio a uma série de impropérios, sobre os quais nos deteremos adiante, ele soltou um “descente” no Twitter – para, logo em seguida, apagar.

Houve outros casos: “haviam emendas”, “insitaria” e “paralização”, cujas formas corretas seriam: havia emendas, incitaria e paralisação.

Se erros nesse sentido seriam pouco aceitáveis para alguém na sua posição, os outros que ele cometeu vão além. O ministro, vejam bem, da Educação, que é um tuiteiro frenético, passou a ofender outros usuários da rede social.

Em resposta a uma mensagem recebida de uma seguidora, ele soltou a seguinte frase: “Prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”. E não foi o suficiente. Ao ser criticado por outro seguidor, chamado Miguel, ele lançou: “Miguel, sinto em avisar, porém, seu caso não resolve estudando. Tem que reencarnar. Aproveita e peça para não voltar tão feio (parece mistura de tatu com cobra)”, escreveu Weintraub.

Logicamente, alguém pensou: é hora de essa sessão de maluquices ter fim. E jogou para Weintraub: “Ministro: andando na rua encontrei seu bom senso. Ele mandou lembranças e disse que está com saudades!”. Weintraub não se cansou e deu sequência aos impropérios: “Que bom, agora continue procurando pelo seu pai”. 

A educação brasileira vai mal. Na maior parte das avaliações internacionais, figuramos lá embaixo. Que Weintraub seja um produto desse contexto, é compreensível. Agora, imaginar que isso é o “novo” normal seria a maior frustração da educação nos últimos anos.

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