Alvim: citação a Goebbels é casca de banana; frase não é nazista

Secretário da Cultura disse que a frase foi reescrita por ele sem saber a origem. Alvim se inclinou a promover uma investigação

Divulgação/Sec. Especial da Cultura

atualizado 17/01/2020 13:28

O secretário especial da Cultura Roberto Alvim disse, nesta sexta-feira (17/01/2020), que a citação ao ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, é apenas uma “casca de banana”. Ele afirmou que não sabia que a frase era do ministro nazista.

“Houve uma coincidência retórica por conta dessa frase. Eu não sabia a origem dela. A frase que eu disse não tem nenhuma associação ao ideário nazista”, disse, em entrevista à rádio Gaúcha, nesta sexta-feira.

Ao se explicar, Alvim garantiu que não é nazista. Ele repetiu que a frase foi uma “coincidência retórica” várias vezes. “Até um ditador sanguinário pode ter uma frase ou outra correta”, disse, ao citar Josef Stalin e Che Guevara.

Roberto Alvim contou que escreveu 90% do discurso e que esse trecho teria sido retirado de pesquisa feita pela sua equipe, sem o conhecimento dele.

“Houve uma coincidência retórica e infeliz de ter caído na minha mesa, de eu não saber qual era a fonte e ter reescrito”, disse.

Alvim disse que, se soubesse a origem, não teria usado a frase. “Não se pode desprender disso com um ideário nazista. Desprender daí antissemitismo, eugenia, é absolutamente terrível de qualquer ponto de vista”, complementou.

Triste com Olavo
O secretário afirmou ainda que a única coisa que o entristeceu após a publicação do vídeo foi a reação do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

“A única coisa que me entristeceu nisso tudo, e falo isso do fundo do meu coração, foi essa frase do professor Olavo [de Carvalho], um mestre que me ajudou muito com os escritos dele”, admitiu. “Eu vou provar para o professor Olavo, que é meu mestre, que estou bem de cabeça, com o juízo perfeito e são”, complementou. Mais cedo, Olavo de Carvalho disse que Alvim “talvez não esteja muito bem da cabeça”.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu uma ligação de Roberto Alvim. O secretário contou que explicou o que teria acontecido.

Perdão
Alvim pediu, por fim, perdão aos judeus caso tenham entendido a frase de forma errada. “Peço mesmo perdão por essa infeliz associação retórica”, disse.

Em seguida, contudo, afirmou que não há conexão com o regime nazista e que o mais importante, neste momento, é esclarecer o que realmente ocorreu.

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