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A promessa de Ciro Gomes, candidato do PDT à sucessão presidencial, de ajudar a “limpar o nome” de mais de 63 milhões de brasileiros negativados no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), foi alvo nesta sexta-feira (10/8) de críticas por parte de especialistas que assessoram candidatos concorrentes.

Durante debate com formuladores dos programas dos presidenciáveis, Persio Arida, assessor econômico do tucano Geraldo Alckmin, disparou contra o que chamou de “promessas irresponsáveis” feitas nesse início de campanha. Segundo estimou, a proposta de Ciro Gomes teria um impacto superior a R$ 60 bilhões – ou duas vezes o custo do Bolsa Família – nas contas públicas.

Em defesa de Ciro, o coordenador do programa de governo do pedetista, Nelson Marconi, contestou o cálculo. Para ele, a estimativa do impacto orçamentário da medida não poderia ser feita porque o candidato ainda não detalhou como vai reduzir o volume de inadimplentes.

“Quando a gente fala que existe um problema sério de endividamento das pessoas, não significa que vamos endividar o governo. Não falamos como vamos fazer”, comentou o economista. Segundo ele, o programa completo de governo de Ciro deve ser publicado até segunda-feira (13).

Ao ser abordado por jornalistas, Marconi não revelou qual será o caminho para esvaziar os cadastros negativos do SPC. Adiantou apenas que, com o apoio do governo, as pessoas terão condição melhor para renegociar suas dívidas bancárias.

Alfinetadas aos planos anunciados pelo candidato do PDT também foram desferidas durante o debate de assessores por João Paulo Capobianco, o ambientalista que coordena o programa de governo de Marina Silva (Rede).

“Fiquei feliz. Está tudo resolvido. É inacreditável que a gente siga nesse processo”, afirmou Capobianco, ao criticar não apenas o anúncio feito aos brasileiros com dívidas em atraso, mas também a promessa de Ciro de criar 2 milhões de empregos no primeiro ano de mandato.