Indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), como ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, filiado ao partido Novo, é um dos fundadores do movimento Endireita Brasil, apoiado por ruralistas. Em sua fracassada campanha por uma vaga na Câmara dos Deputados, ele teve como defesa o uso de “munição de fuzil” em relação aos movimentos sociais de esquerda.

Um alvo do futuro ministro foi o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele também prometeu acabar com a “bandidagem no campo” em uma das peças distribuídas em sua campanha, que defendia o tratamento à bala para os problemas ocorridos no meio rural. Como solução para o campo, a peça publicitária sugeria balas de “fuzil 3006”, em referência ao número registrado na disputa na Justiça Eleitoral.

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Com 43 anos, o futuro ministro foi filiado ao PP e exerceu o cargo de secretário particular do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

No cargo, adotou o mesmo discurso feito atualmente pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, que defende celeridade em relação às licenças ambientais, necessidade de simplificação e combate à presença de “ideologias” no setor ambiental. A atuação na secretaria, no entanto, rendeu a ele uma ação de improbidade administrativa na qual é acusado de manipular mapas de manejo ambiental do Rio Tietê.

Ele nega as acusações de manipulação de dados classificando o critério adotado em relação ao rio de “ideológicas”. “As medidas que nós tomamos para adequar o plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Tietê eram necessárias justamente porque, naquele caso, as posições adotadas foram muito mais ideológicas do que técnicas”, disse em entrevista o jornal O Estado de São Paulo.

“O que nós fizemos, portanto, foi exatamente colocar a questão técnica acima da ideológica. Foi isso que aconteceu”, defendeu-se.

Após sua indicação, Salles tem procurado amenizar o discurso em relação às organizações não governamentais (ONGs). Ele assegurou que o verbo de sua gestão será “harmonizar”, sem discriminações. “Essa perseguição ideológica não é saudável para ninguém. Nem para a Agricultura tampouco para o Meio Ambiente”, afirmou.

Salles é formado pela Universidade Mackenzie, com pós-graduação pelas Universidades de Coimbra e Lisboa, além de especialização em administração de empresas. Ocupou a vice-presidência da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, foi diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira e conselheiro e diretor do Instituto Brasileiro de Concorrência, Comércio Internacional e Relações de Consumo (Ibrac).