Provável candidato ao governo, Alcolumbre foca agenda no Amapá

Um quinto dos compromissos oficiais do presidente do Senado Federal envolve eventos no estado natal do democrata

Foto: Igo Estrela/MetrópolesFoto: Igo Estrela/Metrópoles

atualizado 23/10/2019 7:37

Embora comande a casa legislativa que representa os 26 estados e o Distrito Federal, a prioridade na agenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), são os compromissos envolvendo sua base eleitoral, o Amapá. Levantamento do (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, identificou até a agenda dessa terça-feira (22/10/2019) pelo menos 100 reuniões, eventos e inaugurações envolvendo o estado.

No total, considerando os eventos obrigatórios dos senadores, o parlamentar teve 473 agendas ligadas ao cargo. Excluídas as ordens do dia, sessões deliberativas ordinárias e mistas (com a Câmara dos Deputados) e reuniões de líderes, corriqueiras na rotina do Legislativo, o montante de compromissos cai para 374 e o porcentual de agendas relacionadas ao Amapá sobe para 27% do total.

Os eventos envolvem desde reuniões com parlamentares e entidades representativas da sociedade civil até inaugurações no estado. Na última vez em que esteve na capital Macapá, por exemplo, a agenda envolveu visitas às obras de pavimentação de bairros da cidade.

Em comparação, no mesmo período, o antecessor de Alcolumbre no cargo, Eunício Oliveira (MDB), que é do Ceará, teve 32 agendas relacionadas ao seu estado natal, a maioria cumprida em Brasília. Ele também viajou menos: em apenas quatro ele se deslocou para a capital, Fortaleza.

A ligação continuada com a terra natal envolve um projeto político. Ao Metrópoles, fontes próximas ao presidente do Senado disseram que ele tem como ambição ser o primeiro governador do Amapá nascido no estado. A primeira tentativa de atingir o feito foi em 2018, quando ficou em terceiro lugar na disputa, com 23,75% dos votos – o resultado forçou um segundo turno, vencido por Waldez Góes (PDT), em seu quarto mandato.

Desde que foi eleito presidente, em fevereiro, Alcolumbre fez oito viagens oficiais ao Amapá, sempre aos finais de semana. Como o Senado não tem sessões ordinárias às sextas e segundas-feiras, ele aproveita para viajar ao estado natal, onde costuma ter cinco ou seis agendas.

Além das viagens oficiais, Alcolumbre reserva boa parte do seu tempo para receber autoridades e políticos do seu estado no Senado. O primeiro compromisso como presidente da Casa, por exemplo, depois da sessão solene que inaugurou a 56ª legislatura, foi um café da manhã com a bancada amapaense, no dia 5 de fevereiro – encontro que se repetiu menos de dez dias depois.

Dos oito representantes do Amapá na Câmara, foram recebidos individualmente Acácio Favacho (Pros), Camilo Capiberibe (PSB), Luiz Carlos (PSDB) e Vinicius Gurgel (PL). Com a bancada completa, contudo, há sete registros. O colega de bancada no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede), esteve com ele em cinco agendas, mesmo número de vezes em que o presidente do Senado se reuniu com Waldez, uma delas no Palácio do Setentrião, sede do governo do Amapá.

Os compromissos com Randolfe envolvem uma parceria pontual entre os dois. Em 2018, por exemplo, a Rede apoiou Alcolumbre oficialmente na disputa pelo Estado. Na capital, o comando do Executivo é da Rede, com o prefeito Clécio Luis.

A agenda do presidente também traz registros de eventos culturais envolvendo sua base política. Em setembro, por exemplo, os 76 anos do Amapá renderam um cardápio especial no restaurante dos senadores, uma exposição e uma sessão especial, além de programação focada nos meios de comunicação do Senado, como a TV e a rádio.

Gastos
Segundo o Portal da Transparência da Casa, o presidente gastou, até agora, R$ 72,7 mil com locomoção, hospedagem, alimentação e combustível. Todo o valor é referente ao mês de março e a maioria, R$ 63,7 mil, foi destinado a uma só empresa, a Aerotop Táxi Aéreo, que é do Amapá.

A empresa opera no Aeroporto Alberto Alcolumbre, em Macapá, que leva o nome de um tio do parlamentar – o projeto de lei que batizou o local, aliás, foi apresentado pelo atual presidente da Casa em 2009, quando ainda era deputado estadual. A inauguração do aeroporto, em 12 de abril, é um dos eventos que constam na agenda do democrata.

Os registros de gastos com servidores mostram que o Senado desembolsou R$ 34,4 mil para que eles pudessem acompanhá-lo em viagens ao estado.

A assessoria de Davi Alcolumbre foi procurada para se manifestar sobre o assunto. Temas como a relevância para o Senado Federal desses eventos e comemorações relativas ao Amapá, assim como o foco local seriam abordadas nesse contato. A assessoria de imprensa do senador, no entanto, não respondeu até a última atualização desta reportagem. O espaço continua aberto.

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