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A proposta do governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de usar atiradores de elite para “abater” traficantes é ilegal , segundo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. A declaração foi dada durante entrevista, após reunião do Conselho de Segurança Pública da Federação da Indústria do Rio (Firjan) nesta quarta-feira (31/10), informa o jornal O Globo.

Segundo o ministro, o plano de utilizar snipers em operações em favelas, com policiais orientados a atirar em criminosos com fuzis – mesmo que estejam de costas ou fora de situações de combate que ofereçam risco à tropa –, depende de uma mudança na lei federal. Jungmann, contudo, não expressou se é favorável ou não à medida.

“A proposta precisa passar pelo crivo das leis, da legislação e da Justiça. Não podemos ter atividades que não sejam dentro das normas, das leis. E hoje ela (a proposta) não está. Precisa de uma modificação legislativa”, afirmou. Witzel também participou do evento, informa o jornal.

Balanço de gestão
Na reunião, o ministro fez um balanço dos seus oito meses na pasta. “Hoje temos um ministério por lei, um sistema unificado por lei, uma política de segurança nacional e recursos, advindos das loterias. A segurança pública pela primeira vez tem rumo e reúne todos os entes da Federação”, afirmou Jungmann.

Segundo ele, cabe ao futuro governador manter a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, com prazo até 31 de dezembro deste ano, não poderá ser prorrogada por ir contra a Constituição.

Conforme o Globo, o ministro disse ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e o Ministério da Fazenda devem liberar parte dos R$ 19 bilhões dos Fundos das Telecomunicações (Fust) para o desenvolvimento tecnológico no combate do crime organizado no estado.

“Vamos incentivar a criação do sistema de cercamento eletrônico, que vai permitir a identificarão de cargas, carros roubados, reconhecimento facial para combater o crime. Parte desses recursos vai ser para esse monitoramento”, declarou Jungmann. “Os dados vão para uma central que vai fazer esse cerco digital no comando ao crime. E a intenção é depois espalhar esse sistema para todo o território nacional”, acrescentou.