Porta-voz: Bolsonaro desconhecia operação da PF que atingiu Bivar

Presidente se reuniu com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o diretor da PF, Maurício Valeixo, no auge da crise com o PSL

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 15/10/2019 21:15

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) desconhecia informações a respeito da operação da Polícia Federal que mirou o presidente do seu partido, deputado federal Luciano Bivar, nesta terça-feira (15/10/2019). Bolsonaro e Bivar protagonizam, desde a última semana, uma crise intensa que tem dividido o PSL.

Nesta manhã, a PF deflagrou a Operação Guinhol, em que foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco em endereços ligados ao atual presidente da sigla a qual Bolsonaro é filiado. O deputado é suspeito de envolvimento com candidaturas laranjas.

Segundo Rêgo Barros, o presidente da República soube da notícia pela imprensa, enquanto esteve acompanhado por ministros no Palácio da Alvorada. “O presidente tomou conhecimento da operação pela manhã. Claro, acompanhou junto a outros ministros do governo a evolução”, disse.

No entanto, por desconhecer detalhes sobre a investigação, o chefe do Executivo evitou falar sobre o caso. “Não fez comentários. Entende que a operação seja de responsabilidade da Polícia Federal, órgão com tamanha relevância e confiança da sociedade, e foi conduzida da melhor forma possível”, complementou.

Bolsonaro se reuniu com o diretor da PF, Maurício Valeixo, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, no auge da crise com o partido.

O encontro aconteceu na última quarta-feira (09/10/2019), dia seguinte ao episódio em que o presidente recomendou a um apoiador que esquecesse o PSL, acrescentando que Bivar está “queimado para caramba”, na área externa ao Alvorada.

Na ocasião, questionado sobre o assunto tratado entre as três autoridades no Palácio do Planalto, o porta-voz disse que Bolsonaro preferia evitar comentários a respeito da agenda

Ministro do Turismo
Outra figura ligada ao suposto esquema de candidaturas laranjas pelo PSL é o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais no dia 4 de outubro, o ministro ainda detém a confiança do presidente da República.

Rêgo Barros negou que haja incoerência da parte de Bolsonaro, que não teve a mesma reação sobre as suspeitas que atingem Bivar, considerando o comentário que expôs a crise do partido.

“A questão do ministro do Turismo, o presidente vem acompanhando o desenrolar. Nesta questão, ele vem atribuindo confiança ao ministro do Turismo. Na questão do Bivar, o presidente desconhece os detalhes”, afirmou.

“Escoimando a operação de hoje, o presidente tem as suas análises em relação ao PSL e eu já coloquei, em diversas vezes, qual é o pensamento do presidente em relação ao PSL e a outros partidos da República: transparência, confiança, pensamento em prol da sociedade”, complementou o porta-voz.

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