Para Olavo de Carvalho, “quem manda no país é Fernando Haddad”

Filósofo que é guru do bolsonarismo diz que direita precisava ter criado movimento intelectual antes de buscar eleição. Veja vídeo

Reprodução/TwitterReprodução/Twitter

atualizado 29/12/2019 21:00

O escritor Olavo de Carvalho, que é uma espécie de guru intelectual para membros do governo e pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), publicou em seu canal no YouTube um vídeo no qual critica políticos de direita eleitos na última eleição e diz que o poder no Brasil segue nas mãos da esquerda, mas especificamente com o petista Fernando Haddad, derrotado por Bolsonaro nas últimas eleições.

“Não chegou a se formar um movimento de direita no Brasil, um movimento intelectual. E nenhum movimento começa político, ele começa cultural, intelectual”, argumenta Carvalho no vídeo chamado “A direita se destruindo”, que foi postado neste domingo (29/12/2019).

“Então, não há movimento que possa se comparar ou competir com a esquerda, que tem tradição intelectual de mais de 150 anos. O que aparece [na direita] não é um movimento, são carreiras politicas que aparecem no meio desse caos”, complementa.

Para Carvalho, que é professor de um curso de filosofia online, políticos que se elegeram com bandeiras de direita nas últimas eleições são “completamente caóticos. Não sabem o que estão falando lá, tanto que na primeira semana foram lá vender o Brasil pra China”, critica ele, se referindo a uma viagem de deputados eleitos pelo PSL ao país asiático ainda em janeiro deste ano.

Haddad no poder
“A direita elegeu um presidente, porém quem manda no país é Fernando Haddad“, decreta o escritor, que explica: “Em 1998 Haddad criou um plano para o PT cujo resumo é a elevação política do lumpemproletariado. São bandidos, prostitutas, drogados, loucos, pessoas divergentes sem lugar específico na sociedade. E hoje, o lumpemproletariado domina o panorama nacional”, afirma Carvalho.

Na obra de Karl Marx, o termo lumpemproletariado se refere a um grupo social sem recursos financeiros nem organização, que vive de maneira marginal na sociedade.

“Eleger um presidente sem que ele tenha o suporte militante é a mesma coisa que condená-lo à morte”, afirma Carvalho. “Entregaram esse abacaxi pro Bolsonaro e querem que ele resolva, mas a esquerda domina a mídia, as universidades, os órgãos públicos, as ONGs, a OAB… Eles estão no poder, vocês não entenderam ainda?”, afirma.

Fake news
Nesse ponto do vídeo, Olavo de Carvalho faz referência a uma popular notícia falsa sobre a vereadora Marielle Franco (PSol-RJ), assassinada em março de 2018. “Você vê que um sujeito esfaquear um candidato a presidente da República não dá em nada, mas matar a menina que tá metida com o narcotráfico, a isto é um escândalo, é um crime, é um horror”, desdenha ele, sem citar o nome de Marielle.

Essa mesma notícia falsa levou a família da vereadora assassinada ao lado de seu motorista a dar queixa contra a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A magistrada publicou, em rede social, que Marielle estava “engajada com bandidos” e teria sido eleita com a ajuda de uma facção criminosa.

Em um recuo, Marília Neves publicou nota para se “desculpar à memória da vereadora Marielle Franco por ter reproduzido, sem checar a veracidade, informações que circulavam na internet”.

É possível ver o vídeo de Olavo de Carvalho aqui: