Para Bolsonaro, ataques de Olavo não contribuem com governo

Porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros diz que o presidente, contudo, reconhece o papel considerável do escritor na atual gestão

Wilson Dias/Agência BrasilWilson Dias/Agência Brasil

atualizado 22/04/2019 21:37

“As recentes declarações contra integrantes da Presidência não contribuem para atingir objetivos propostos em nossos projetos de governos”. A declaração, repassada pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros nesta segunda-feira (22/04/2019), é do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em reação às recentes e duras críticas feitas por Olavo de Carvalho, guru bolsonarista, ao núcleo militar do Planalto.

Segundo o porta-voz, o presidente acredita que o escritor tem a “convicção” de que está contribuindo com o futuro do país e reconhece o papel considerável que o astrólogo teve para a divulgação de ideias conservadoras e seu esforço em lutar contra a esquerda brasileira. “Porém, mesmo com a importante participação, ele [Olavo] não poderia ter registrado a opinião”, disse.

O porta-voz ainda ressaltou que o presidente sabia do conteúdo do vídeo, postado em suas redes sociais, em que Olavo de Carvalho ataca os militares. Segundo Rêgo Barros, o chefe do Executivo é a única pessoa responsável pela sua página pessoal e todas as postagens são feitas por ele.

A respeito das acusações de falta de transparência por parte do governo Bolsonaro, que colocou sob sigilo os números da reforma da Previdência, o Ministério da Economia assegura que todos os méritos utilizados durante a elaboração do texto estão disponíveis publicamente e podem ser facilmente consultados, disse Rêgo Barros.

Ele apresentou nota da pasta que destaca que todos os preceitos questionados sobre a proposta serão esclarecidos na comissão especial, e não durante a votação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“Conforme vem sendo informado desde o envio da proposta da nova Previdência à Câmara, os dados que embasam a economia foram amplamente divulgados e constam na exposição de motivos. Cabe ressaltar que o modelo de análise de impacto previdenciário é público e pode ser acessado por qualquer cidadão”, diz a nota.

“Dados desagregados serão apresentados na comissão especial, todas as informações serão iluminadas, e todas as perguntas, respondidas na discussão de mérito. Cabe ressaltar que tamanho nível de transparência nunca foi tão obedecido em nenhuma alteração de sistema de Previdência de governos anteriores”, completa o texto.

Nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para afinar as questões que serão levadas pelo governo durante votação na Câmara, nesta terça-feira (23/04/19).

Crise dos caminhoneiros
Segundo Otávio Rêgo, Bolsonaro  “não vê motivos” para uma paralisação por parte dos caminhoneiros. A categoria deu um ultimato ao Planalto: ou o governo estabelece um “gatilho” para ajustar o valor do frete a cada aumento do diesel ou cruzará os braços no dia 29 de abril.

“Ele [Bolsonaro] me estimulou a comentar-lhes sobre o espírito patriótico que ele vê de há tempo nos nossos caminhoneiros pelo seu dia a dia de trabalho esforçado em prol da nossa sociedade”, completou o porta-voz.

Para Rêgo Barros, o governo tem atuado de forma proativa no gerenciamento da negociação com a categoria. Segundo ele, a classe é essencial para manutenção da economia do país.

Apex-Brasil
O porta-voz ainda informou que a escolha do novo nome para ocupar a presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) está sob análise e afirmou que a agência irá permanecer no Ministério das Relações Exteriores.

Questionado sobre a má conduta no trânsito de Jair Bolsonaro, que andou de moto sem capacete e parando nas calçadas neste sábado (20/04/2019), no Guarujá (SP), Rêgo Barros disse que o presidente reconhece a importância do Código Nacional de Trânsito e que deve ser submetido a esse como qualquer outro cidadão.

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