“O poder público não é negócio de família”, disse Moro em tuíte antigo

Internautas resgataram a fala do ministro após Bolsonaro declarar que pode nomear seu filho como embaixador do Brasil nos EUA

Foto: Hugo Barreto/MetrópolesFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 12/07/2019 19:54

Após a polêmica estabelecida com o comentário do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de que pode indicar um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a função de embaixador do Brasil nos Estados Unidos (EUA), os internautas resgataram um tuíte do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Na publicação, o ex-juiz da Lava Jato diz que “o poder público não é um negócio de família”.

A mensagem foi publicada no Twitter oficial de Moro no dia 6 de abril deste ano. No entanto, depois que Bolsonaro cogitou o nome de Eduardo para assumir um cargo diplomático, mesmo não tendo seguido a carreira, usuários das redes sociais resolveram usar a fala do ministro em tom de crítica ao presidente.

A frase, que voltou à tona nesta sexta-feira (12/07/2019), foi escrita por Moro enquanto ele listava coisas a não serem feitas no serviço público. Entre os outros pontos citados por ele, estão: “O interesse público deve sempre prevalecer; o combate à impunidade é nosso dever; a transparência é nossa regra, sigilo é exceção e a sociedade quer ação do agente público, nunca acomodação”.

Polêmica
Bolsonaro revelou nessa quinta-feira (11/07/2019) que estuda a possibilidade de indicar o filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O presidente alegou que, como Eduardo “fala inglês com fluência” e tem afinidade com a família do presidente dos EUA, Donald Trump, ele estaria qualificado para o posto.

“É uma coisa que está no meu radar, sim. Existe essa possibilidade. Ele é amigo do filho do Trump. Fala inglês, espanhol, tem uma vivência muito grande de mundo. Poderia ser uma pessoa adequada, daria conta do recado perfeitamente em Washington.”

Após a declaração de Bolsonaro, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliou que a eventual indicação pode ser caso de “nepotismo”. Para o magistrado, a iniciativa é um “péssimo exemplo” e um “tiro no pé”.

“Agora, penso que o presidente Jair Bolsonaro deve contas aos eleitores e aos brasileiros em geral. O exemplo vem de cima. Ele chegou para nos governar e governar bem, não para proporcionar o Estado aos familiares”, observou Marco Aurélio.

A Advocacia-Geral da União (AGU), por sua vez, avaliou, na tarde desta sexta-feira, que a situação “não configura nepotismo”.