Nova Câmara, velhos gastos: conheça os deputados “mais caros” em 2019

Parlamentares federais custaram R$ 69,5 milhões à União no 1º semestre. A maioria dos serviços foi de divulgação e consultoria privada

Luis Macedo/Câmara dos DeputadosLuis Macedo/Câmara dos Deputados

atualizado 21/07/2019 10:08

Com seis meses de atividade nesta nova legislatura, eleita em 2018, a Câmara dos Deputados registrou um custo de ao menos R$ 69,5 milhões aos cofres públicos com a cota parlamentar. Os números, contudo, ainda podem mudar. Isso porque congressistas têm até 90 dias para registrar as despesas na Casa. Em uma legislatura na qual houve 47,3% de renovação, os novatos estão no topo da lista dos mais gastadores. Até o momento, o deputado Cássio Andrade (PSB-BA) foi o que mais gastou da cota parlamentar, R$ 242.981,79. O mais econômico foi do DF, Paula Belmonte (Cidadania) tem apenas R$ 201,88 registrados até agora.

Entre a maior parte dos custos do deputado Andrade, estão R$ 102,9 mil em “divulgação da atividade parlamentar”, R$ 57 mil com consultorias de pesquisas e trabalhos técnicos e R$ 27,8 mil com combustíveis e lubrificantes. O Metrópoles entrou em contato com o parlamentar, que explicou manter a produção de uma espécie de jornal impresso para distribuir nos municípios do estado onde “a internet não chega”. A tiragem da publicação é mensal.

“São jornais informativos, porque somos muito cobrados. Além de ser deputado federal, sou presidente do PSB no estado do Pará, que tem 144 municípios. Do total, visitei 87 deles. Eu não sou parlamentar de segmento religioso nem empresarial. Ninguém me colocou no mandato, por isso invisto nisso,  principalmente para fazer a divulgação”, explicou o deputado.  

Apesar de Andrade afirmar que abriu mão de algumas despesas “desnecessárias”, como aluguel de carro e gabinete alternativo no estado, constam, nos registros de gastos dele, R$ 6,2 mil em “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar”. Detalhe: ele informou que utiliza uma sala comercial dele mesmo para isso – e a Câmara banca duas taxas, de condomínio e internet. 

O segundo congressista mais caro aos cofres públicos foi Fernando Rodolfo (PL-PE). Ele desembolsou R$ 241,4 mil no semestre. Até o momento, gastou R$ 68,7 mil em passagens aéreas, R$ 56,7 mil em divulgação do mandato e R$ 48 mil em locação de veículos. Com consultores, o valor alcançou R$ 15,8 mil, além de R$ 15,1 mil com combustíveis, R$ 14,9 mil em emissão de bilhete aéreo e R$ 6,3 mil com a sala estadual.

Constam também nos registros R$ 5 mil em serviço de segurança, R$ 2,6 mil em serviços postais e R$ 2,3 mil em telefonia. Não há informações detalhadas sobre o gasto de R$ 5,6 mil registrado em “hospedagem no Distrito Federal”. O Metrópoles tentou contato telefônico com o deputado, mas até a última atualização desta matéria não obteve retorno.

Com o terceiro mandato mais caro da Casa, Silas Câmara (PRB-AM) gastou R$ 235,9 mil. Do total, ele foi o campeão em despesas para divulgação da atividade parlamentar: R$ 163,7 mil. Com fretamento de aeronaves, segundo registros da Câmara, foram desembolsados R$ 46,5 mil, além de R$ 24,1 mil em passagens aéreas. De contas telefônicas, ele consumiu R$ 770,4; R$ 588,3 em serviços postais e R$ 199 para manter o escritório de apoio.

O “cotão”
De acordo com a Câmara, a cota parlamentar é única mensal destinada a custear os gastos dos deputados exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar. O valor máximo por mês depende da unidade da federação a qual o deputado representa. Essa variação ocorre por causa das passagens aéreas e está relacionada ao valor do trecho entre Brasília e o Estado do congressista. A depender da localidade, o limite mensal pode ultrapassar R$ 44 mil.

Mais econômicos
A deputada do Distrito Federal Paula Belmonte (Cidadania) foi a que menos gastou até agora. A conta dela se resume a R$ 201,88 em serviços telefônicos.  Como um dos compromissos de campanha, Paula prometeu abrir mão do uso da cota parlamentar. Ela justifica que houve um débito automático do telefone do gabinete “sem autorização prévia”. “Mas organizamos para não mais acontecer”, afirmou à reportagem.

“Também em relação aos passaportes, fiz dois pedidos para pagamento ao Ministério do Exterior e não foi possível. Pegamos o valor equivalente à emissão dos passaportes e fizemos uma doação para uma instituição. Todos os documentos estão nas minhas redes sociais”, acrescentou.

Novato na Casa, o mineiro Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG) foi o segundo mais econômico. Nos boletos que serão ressarcidos constam R$ 608,14, também apenas de telefone.

Na terceira posição dos “baratos” se encontra o suplente Paes Landim (PTB-PI), com R$ 9,6 mil desembolsados da cota parlamentar — R$ 7,4 mil em passagens aéreas; R$ 2 mil com hospedagem de terceiros ligados ao congressista. Com serviços postais, foram registrados R$ 48,98 e R$ 12,63 em telefonia.

De olho no DF
Entre os oito parlamentares eleitos no Distrito Federal,  a petista Érika Kokay foi a que mais gastou, segundo o portal da Transparência da Câmara. Foram desembolsados R$ 153,1 mil, sendo R$ 103,4 mil em consultorias, R$ 34,8 mil em divulgação do mandato, R$ 2,8 mil em manutenção de escritório de apoio, R$ 1,6 mil em telefonia, R$ 755,8 em assinatura de publicações e R$ 335 em serviços postais.

Questionada pela reportagem, a deputada afirmou que as despesas foram “proporcionais aos ataques que as liberdades individuais têm sofrido”. Foi, segundo ela, o meio que conseguiu para o enfrentamento dessas questões. “Dizem respeito às liberdades individuais, aos direitos da população negra, das mulheres, dos direitos dos trabalhadores, e dos LGBTs para combater, por exemplo, a reforma da Previdência. Os serviços de comunicação e de consultoria foram utilizados como atos para combater esses ataques”, completou.

O segundo deputado mais caro do DF foi Júlio César Ribeiro (PRB), com R$ 104,8 mil — R$ 34 mil com consultores, R$ 33,8 mil em divulgação, R$ 22 mil em fretamento de veículos automotores, R$ 10,8 mil em combustível, R$ 1,7 mil para o gabinete paralelo, R$ 1,5 mil em contas telefônicas, R$ 804 para alimentação e R$ 79 para serviços de táxi e estacionamento.

Na terceira posição ficou Celina Leão, com R$ 83 mil. Do total, R$ 62 mil com comunicação, R$ 15,2 mil com locação de carro, R$ 2,6 mil para escritório de apoio, R$ 2,5 mil em combustível, R$ 408 para telefonia, R$ 181 em serviços postais. A reportagem entrou em contato com Ribeiro e Celina, mas, até a última atualização da matéria, não obteve retorno. 

 

 

 

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