No Senado, Salles questiona contribuição humana no aquecimento global

Para o ministro do Meio Ambiente, ação do homem não deve ser apontada como principal causa das mudanças climáticas

Rafael Carvalho/Governo de transiçãoRafael Carvalho/Governo de transição

atualizado 27/03/2019 21:34

Aquecimento global, uso de agrotóxicos, licenciamento ambiental, administração de parques nacionais e o afastamento de 21 superintendentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais (Ibama). Esses foram alguns dos temas abordados pelos senadores na audiência pública com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, realizada nesta quarta-feira (27/3) pela Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado.

Questionado, Salles defendeu as políticas que têm sido implementadas pela atual gestão federal e apresentou as medidas que considera prioritárias para a sua pasta, especialmente para o combate à poluição.

Em resposta aos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jean Paul Prates (PT-RN) e Márcio Bittar (MDB-AC), o ministro se mostrou cético quanto à ação humana como principal causa do aquecimento global. Ele disse não discordar de que haja um aquecimento no planeta, o que pode ser verificado pelo regime de chuvas e nível dos oceanos, mas questionou a “parcela de contribuição humana” nas alterações climáticas.

O ministro disse, porém, que o Brasil permanecerá no Acordo de Paris sobre o Clima, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em relação à destituição de gestores do Ibama, Salles respondeu que, em alguns casos, poderá haver recondução ao cargo. Quanto ao trabalho de organizações não governamentais voltadas à preservação do meio ambiente, o ministro afirmou que várias delas apresentam “bons projetos”, mas questionou a transparência de suas ações.

“Boas ideias [são] obscurecidas ou relativizadas por prestação de contas e metas não explicitadas, quer seja por incapacidade ou desiderato próprio, que merece reparo”, afirmou Salles.

Agrotóxicos
Em resposta à indagação do senador Alessandro Vieira (PPS-SE) sobre a liberação do uso de 54 novos agrotóxicos no Brasil, grande parte proibida em outros países, o ministro criticou a demora no procedimento de registro, aprovação e análise dos produtos.

“É esse sistema anacrônico que gera riscos para a sociedade”, disse Ricardo Salles. O ministro defendeu uma maior relação entre a agenda ambiental e a do agronegócio.

Amazônia
Com relação à Amazônia, Salles disse que o governo pretende investir em um sistema de monitoramento que pode usar satélites, radares e drones, inclusive com tecnologia internacional, para verificar desmatamento e garimpo ilegais, entre outras irregularidades.

O ministro destacou, ainda, que o processo de licenciamento ambiental será aprofundado e detalhado nos sistemas considerados relevantes, como as barragens, com “utilização racional do corpo técnico do Ibama e melhor distribuição das equipes de trabalho e recursos orçamentários”. (Com informações da Agência Senado)

 

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