Na Câmara, oposição reage à crise do PSL: longe de acabar

Presidente Jair Bolsonaro pediu a um homem que afirmara ser de Recife e pré-candidato do partido para esquecer a legenda. Fala repercutiu

Luis Macedo/Câmara dos DeputadosLuis Macedo/Câmara dos Deputados

atualizado 09/10/2019 15:45

A declaração do presidente Jair Bolsonaro contra o PSL, partido pelo qual chegou ao Palácio do Planalto, repercutiu na Câmara dos Deputados. Nessa terça-feira (08/10/2019), o chefe do Executivo pediu a um apoiador que afirmara ser de Recife e pré-candidato para esquecer a legenda. “Esquece o PSL, tá ok? Esquece”, disse Bolsonaro.

Para a deputada Sâmia Bomfim (PSol-SP), o PSL foi usado pelos deputados como tática para surfar na “onda bolsonarista em 2018”. “Todos sabemos que o PSL é, e sempre foi, uma legenda de aluguel usada por aventureiros para surfar na onda bolsonarista em 2018. Cabe saber como se comportarão os deputados que embarcaram nessa. Mais um capítulo da crise política que parece longe de acabar. O governo fica ainda mais frágil”, afirmou.

“Após o escândalo do laranjal se alastrar, o presidente decide abandonar o partido para tentar se livrar das suspeitas de corrupção”, opinou a parlamentar.

Integrantes do PT, sigla com a maior bancada da Casa, também se manifestaram a respeito. “Na briga por dinheiro e pelo poder, Bolsonaro acha que Bivar está ‘queimado’. Em resposta ao presidente, o líder do PSL na Câmara disse achar que Bolsonaro também está com o ‘quintal sujo’. Eu já acho que os dois estão certos!”, disse o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

A deputada Érika Kokay (PT-DF) afirmou que, em vez de seguir o conselho de Bolsonaro para “esquecer o PSL”, vai lembrar de episódios que geraram crises no partido, como as conversas vazadas pelo site The Intercept e o caso envolvendo o ex-assessor do filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Fabrício Queiroz.

“Estamos aqui para lembrar do PSL, do laranjal, do Queiroz, da Marielle, da Vaza Jato, de tudo que o incomoda e ele quer jogar pra debaixo do tapete!”, destacou.

O vice-líder do PCdoB, deputado Márcio Jerry (MA), disse que Bolsonaro foi “oportunista” e o chamou de “malandro”. “Ele adota uma postura de oportunismo explícito e cinismo despudorado nesses episódios envolvendo o partido dele, PSL, em um vergonhoso e criminoso laranjal. Suspeito agora de ter sido beneficiário de caixa 2 operado pelo PSL, ele corre da acusação e aponta a responsabilidade do partido. Malandro!”, declarou.

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