MPMG denuncia ministro do Turismo por candidaturas laranjas

Mais cedo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL) foi indiciado pela PF por crime eleitoral de omissão na prestação de contas e associação criminosa

Valter Campanato/Agência BrasilValter Campanato/Agência Brasil

atualizado 04/10/2019 16:12

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, na tarde desta sexta-feira (04/10/2019), o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), por dois crimes envolvendo candidaturas laranjas do partido em 2018. Outras 10 pessoas também foram denunciadas.

Marcelo Álvaro havia sido indiciado pela Polícia Federal na quinta-feira (03/10/2019) por suspeita de crimes como falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa. O ministro de Bolsonaro é acusado de envolvimento no esquema de laranjas do PSL, durante as eleições do ano passado.

Mais cedo, antes de o MPMG oficializar a denúncia, o Ministério do Turismo afirmou, em nota, que o titular da pasta estava “confiante de que ficará comprovada sua inocência”.

“Álvaro Antônio ainda não foi notificado oficialmente da decisão, mas reafirma sua confiança na Justiça e reforça sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada”, informou a pasta, em nota enviada à imprensa.

Além do ministro do Turismo, outras 10 pessoas também foram indiciadas por uso de candidaturas-laranja no PSL. Em abril, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão. Em junho, a Polícia Federal prendeu três pessoas – entre as quais, o assessor especial de Álvaro Antônio, Mateus Von Rondon.

Veja a lista de indiciados:

Marcelo Álvaro Antônio (ministro)
Professor Irineu (deputado estadual)
Lilian Bernardino (suspeita de candidatura laranja)
Debora Gomes (suspeita de candidatura laranja)
Camila Fernandes (suspeita de candidatura laranja)
Naftali Tamar (suspeita de candidatura laranja)
Marcelo Raid Soares
Roberto Silva Soares (assessor do ministro)
Mateus Von Rondon (assessor especial do ministro)
Haissander de Paula (ex-assessor do ministro)
Reginaldo Donizeti Soares (irmão de Roberto)

Entenda
Conforme as investigações da Polícia Federal, o PSL, que à época das eleições tinha como presidente em Minas Gerais o atual ministro do Turismo, teria usado candidatas em disputas de fachada para acessar recursos de fundo eleitoral exclusivo para mulheres.

As ex-postulantes foram indiciadas. São elas: Naftali de Oliveira Neres, Débora Gomes da Silveira, Camila Fernandes Rosa e Lilian Bernardino de Almeida. Juntas, receberam R$ 279 mil para campanha, mas o total de votos não passou de 2,1 mil. Em depoimentos ao longo das diligências policiais, todas permaneceram em silêncio.

Relação custo por voto
Até o momento, o ministro do Turismo tem negado qualquer participação no esquema. Nas apurações da PF, ficou comprovado, entre outros pontos, que uma gráfica utilizada no suposto esquema não funcionava desde dois anos antes das eleições. A Polícia Federal apurou ainda que a empresa pertencia a um irmão de Roberto Soares, assessor de Álvaro Antônio e coordenador da campanha de 2018.

Segundo a PF, a relação custo por voto entre as mulheres que teriam sido usadas como laranjas no esquema era maior do que a registrada entre candidatos que venceram as eleições. O custo médio entre os que venceram era de R$ 10 por voto, enquanto o das candidatas do PSL era de R$ 300.