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Candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general Hamilton Mourão (PRTB) disse em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, que o 13º salário e o pagamento extra no período de férias são “jabuticabas” – ou seja, só existem no Brasil

“Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12 para que que pagamos 13 [salários]. É complicado”, afirmou o general durante a palestra.

Procurado, o comitê de campanha de Bolsonaro afirmou se tratar de uma “posição pessoal” do general, ainda a ser discutida com a equipe econômica.

Para Mourão, o Brasil é “o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais”. Ainda de acordo com o vice de Bolsonaro, a legislação tem uma  “‘dita visão social’, mas com o chapéu dos outros” e  não com o do governo.

Veja a palestra que gerou a polêmica

Polêmicas
Essa não é a primeira declaração do general que gera polêmica. Em palestra para integrantes do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, Mourão usou o termo “mulambada” para se referir a parceiros do Brasil na política externa com países do Hemisfério Sul empreendida nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o vice de Bolsonaro, “nós nos ligamos com toda a ‘mulambada’, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano, na diplomacia Sul–Sul”.

No mesmo discurso, Mourão disse que famílias nas quais mães e avós criam os filhos, em áreas carentes, acabam virando “fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”. As declarações provocaram uma forte reação contra o vice de Bolsonaro, inclusive em seu próprio entorno.

Logo após as afirmações e a imediata repercussão negativa, Mourão recebeu ligações de generais de grupos de suporte à campanha de Bolsonaro. Ouviu ser “totalmente desnecessária” a fala com referência à “mulambada”. O vice reclamou: “Hoje, não se pode dizer mais nada”.

“As declarações não agregam valor a uma campanha. São brincadeiras que não fazem bem. Se seguir assim, vai prejudicar toda essa gente envolvida na campanha”, disse um militar aliado de Mourão, muito próximo a ele.

No entendimento desses generais aliados, só uma “catástrofe” tira Bolsonaro do segundo turno. Mas, na visão deles, é preciso ter “equilíbrio” nestes menos de 20 dias de campanha até o primeiro turno, em 7 de outubro. “Vamos perder para nós mesmos?”, questionou um aliado do general. (Com informações da Agência Estado)