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O juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, rechaçou nesta terça-feira (6/11), em entrevista coletiva, a ideia de que usou suas prerrogativas de magistrado para influenciar no processo eleitoral, com a decretação e manutenção da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O que existe é um crime que foi descoberto, investigado e provado. As cortes apenas cumpriram a lei. Não posso pautar minha vida num álibi falso de perseguição política”, pontuou o juiz responsável pela prisão de Lula, em abril, no âmbito da Operação Lava Jato.

Moro negou proximidade anterior com Jair Bolsonaro e que foi procurado em outubro, antes do segundo turno, pelo economista Paulo Guedes, que o sondou sobre possível participação no futuro governo. O juiz frisou ainda que só se encontrou com o presidente recém-eleito em 1º de novembro, quando disse aceitar o convite.

O magistrado enfatizou que comandar o Ministério da Justiça não faz parte de um “projeto de poder”. A declaração refere-se às críticas de que ele usaria o cargo para chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O futuro ministro reforçou que não há a menor chance de que sua atuação no Ministério da Justiça seja no sentido de fazer perseguição política e ressaltou que não será conivente com crimes motivados por ódio. “É um pouco estranho dizer isso, mas não existe a menor chance de usar o ministério para perseguição política”, afirma Moro. Para o juiz, os crimes de ódio são “intoleráveis”.