Heleno diz que Carlos Bolsonaro está “extremamente traumatizado”

O vereador tem feito críticas à segurança do presidente Jair Bolsonaro, principalmente após o atentado sofrido durante a campanha eleitoral

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 10/07/2019 13:39

No decorrer da Comissão Mista de Relações Exteriores e de Direitos Humanos, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) está “extremamente traumatizado” após o atentado sofrido pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), durante a campanha eleitoral do ano passado.

Heleno está na Câmara dos Deputados para falar sobre o episódio que envolve o sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) Manoel Silva Rodrigues, flagrado com 39 de quilos de cocaína na Espanha.

À época da prisão, Carlos Bolsonaro criticou a segurança do GSI dada ao mandatário da República e defendeu que a Polícia Federal assuma a atribuição. Pelo Twitter, o vereador disse que “há meses gritava em vão” sobre a segurança do GSI, mas sempre foi “ignorado”.

Heleno, por sua vez, minimizou as críticas. “Os comentários do Carlos são, sei porque tive convívio, porque ele é extremamente traumatizado pelo atentado à faca que o presidente sofreu”, argumentou.

O ministro comentou sobre a dificuldade de se fazer a segurança de Bolsonaro. “Muitas vezes, uma autoridade como o presidente Bolsonaro desrespeita as regras traçadas pela segurança. Isso é normal. E hoje o presidente faz coisas que são arriscadas“, ressaltou Heleno.

Relembre o caso
Rodrigues foi preso no aeroporto de Sevilha, na Espanha, no mês passado. Ele estava com 39 kg de cocaína na comitiva da Presidência que acompanhava Jair Bolsonaro (PSL) no encontro da cúpula do G20, em Osaka, no Japão.

Atualmente, o sargento está em uma cadeia pública da Espanha, onde aguarda julgamento. A situação é apurada por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pela FAB. Se condenado, Manoel Rodrigues será expulso da Aeronáutica.

Salário
Durante a sessão, Heleno foi alvo de críticas dos parlamentares devido ao alto salário que recebeu quando dirigiu o Comitê Olímpico do Brasil (COB). À época, o general teve rendimento de R$ 51 mil.

O montante é acima do teto constitucional e parcialmente oriundo de fontes públicas. Questionado, Heleno salientou que tinha vergonha de mostrar o contracheque do Exército. “Tenho vergonha é de mostrar para o meu filho que sou general do Exército e ganho líquido R$ 19 mil. Disso eu tenho vergonha”, rebateu.

Ele ainda acrescentou. “Foi a única vez na vida que entrei num restaurante com meus filhos e escolhi o que iria comer olhando o cardápio pela coluna da esquerda. Antes, sempre escolhi pela direita, pelos preços”, concluiu.

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