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Anunciada ministra da Agricultura do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (DEM) disse nesta quinta-feira (8/11) que as relações comerciais do setor com o exterior serão um desafio para sua gestão. Presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), a deputada federal pelo Mato Grosso do Sul afirmou já ter recebido ligações de empresários preocupados com a relação do futuro governo com países árabes, grandes importadores de carnes do Brasil.

A preocupação surge após declarações de Bolsonaro sobre a mudança da embaixada brasileira, em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém. “Sei do desconforto. Tenho recebido ligações. Quero sentar e discutir para entender a posição que o governo vai tomar e como a gente vai poder agir nessa situação”, disse Tereza Cristina.

Para a líder ruralista, o futuro ministro das Relações Exteriores terá papel fundamental para intermediar acordos comerciais com países parceiros. Bolsonaro afirma que quer um diplomata para ocupar o Itamaraty. “Nós precisamos ver para onde nós podemos exportar, saber quais são os gargalos e quem é o novo ministro das Relações Exteriores. É muito importante esse ministério andar junto à Agricultura.”

Segundo a futura ministra, o setor produtivo espera uma postura do governo que lhes dê “segurança jurídica, defesa à propriedade e um Ministério da Agricultura moderno”.

No início da conversa com jornalistas, Tereza Cristina afirmou que já conversou com o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi. O contato foi telefônico, já que ele está em missão nos Emirados Árabes. Segundo a parlamentar, ela não descansou desde que foi anunciada para compor o novo governo.

“Passei a noite pensando nisso. Nem dormi. (…) vou ter uma conversa com ele, com meus pares, com a CNA. Preciso ainda conversar com o presidente para saber o que ele quer.”

Meio Ambiente
Tereza Cristina disse que não vai interferir na escolha do futuro ministro do Meio Ambiente. Bolsonaro chegou a cogitar fundir a pasta com Agricultura. Mas reações contrárias, tanto de ruralistas quanto de ambientalistas, fizeram o presidente eleito recuar.

A deputada disse, no entanto, que caso Bolsonaro peça recomendações, ela poderá indicar nomes para a pasta. “Isso é uma escolha exclusivamente do presidente da República. Se eu for perguntada, posso sugerir nomes.”

Movimentos sociais
A futura ministra da Agricultura disse ter dúvidas sobre a tipificação como terrorismo de movimentos sociais, como o Movimento Sem Terra (MST). “Tenho um pouco de dúvidas. Temos leis para isso. Tem que ser discutido com o ministro perguntado.”