Em Davos, Bolsonaro erra ao falar em florestas e conservação ambiental

Na abertura do Fórum Econômico Mundial, presidente acertou ao mencionar turismo, agropecuária e eleições

Alan Santos/PRAlan Santos/PR

atualizado 22/01/2019 17:58

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) discursou, na tarde desta terça-feira (22/1), na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Em seguida respondeu algumas perguntas de Klaus Schwab, fundador do fórum, sobre meio ambiente, corrupção e política. Em seu pronunciamento, Bolsonaro prometeu fazer as reformas que “o mundo espera” do Brasil para torná-lo mais atraente. No entanto, apresentou alguns dados equivocados. Veja a seguir a checagem da Lupa:

“Hoje, 30% do Brasil são florestas.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

Pelo menos três estudos indicam que o Brasil tem mais de 30% de seu território ocupado por florestas. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 2016, a área florestal do país ocupava 58,9% do território. Esse é o dado mais recente do órgão. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em janeiro de 2017, estimou que 61% do território nacional era coberto por vegetação nativa. No mesmo ano, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) observou, via satélite, que o Brasil preservava a vegetação nativa em 66% de seu território.

 

“Somos o país que mais preserva o meio ambiente.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

Numa lista de 180 países analisados a partir da performance meio ambiental, o Brasil ficou na 69ª posição. Esse dado consta no estudo Environmental Performance Index (EPI), realizado pelas universidades norte-americanas Yale e Columbia em 2018. Segundo o ranking internacional, a Suíça ganhou o primeiro lugar. A França apareceu em segundo, e a Dinamarca, em terceiro. Para chegar a esses resultados, as instituições avaliaram 10 indicadores. Entre eles, a qualidade do ar, da água e o saneamento, além do clima, a energia e a poluição do ar. Os especialistas afirmam que esses critérios mostram se os países têm ou não boas políticas meio ambientais.

 

“Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

Há dados diferentes sobre o assunto: algumas pesquisas colocam a área dedicada à pecuária ligeiramente abaixo dos 20%, e outras, ligeiramente acima. O relatório Perfil da Pecuária no Brasil, publicado em 2016 pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), informa que o país “possui 209,13 milhões de cabeças de gado distribuídos em 167 milhões de hectares.” Isso representaria 19,6% do território nacional, de 851,6 milhões de hectares. Ou seja, é menos do que 20% do território brasileiro. Outro estudo, do Embrapa, fala em 19,7%,

Já a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que, em 2016, o Brasil usava 196 milhões de hectares para a pecuária em prados e pastagens. Isso representaria 23% do território nacional.

 

“Nas eleições, mesmo gastando menos de US$ 1 milhão e com apenas poucos segundos de televisão (…), conseguimos a vitória.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na campanha presidencial de 2018, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) arrecadou R$ 4.390.140,36 e gastou R$ 2.456.215,03. Em 28 de outubro de 2018, quando foi eleito, US$ 1 valia R$ 3,67. Ou seja, é verdade que Bolsonaro gastou menos de US$ 1 milhão para se eleger presidente. Também é verdade que teve apenas “poucos segundos de televisão”. Foram apenas dois blocos diários de 8 segundos, além de 11 inserções de TV no primeiro turno.

 

“Não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça


Relatório
da Organização Mundial do Turismo (OMT) mostra que, em 2017, o Brasil recebeu 6,5 milhões de turistas, sendo o 45º país mais visitado do mundo naquele ano. O levantamento analisa dados de 154 nações. Nesse ranking, os países com mais turistas foram a França (86,9 milhões), a Espanha (81,8 milhões) e os Estados Unidos (76,9 milhões).

 

“A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território.”
Presidente Jair Bolsonaro no discurso realizado no dia 22 de janeiro na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça


O levantamento Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2017, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a área ocupada por lavouras temporárias e permanentes no país somou 78,9 mil hectares naquele ano. O valor corresponde a 9,27% de todo o território. As culturas que mais ocupam áreas plantadas são as de soja (43%), milho (22,4%) e cana-de-açúcar (12,9%).

Um outro estudo, no entanto, também do IBGE, chegou a um percentual diferente. De acordo com o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil para 2016, a área usada pela agricultura naquele ano correspondia a 64,3 mil hectares, ou 7,55% de todo o território. O total obtido no PAM para o mesmo ano foi de 77,3 mil hectares, ou 9% do total.

Com reportagem de Chico Marés, Maurício Moraes e Nathália Afonso

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