Dino diz que, se Lula for candidato do PT, ele estará no palanque

O governador do Maranhão não esconde, porém, que é pré-candidato para 2022 contra a política "belicista" e "extremista" de Bolsonaro

Jacqueline Lisboa/Esp. MetrópolesJacqueline Lisboa/Esp. Metrópoles

atualizado 09/10/2019 8:11

Em entrevista ao Metrópoles, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que tem o nome cotado para disputar as eleições presidenciais em 2022, disse que em um cenário hipotético, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT ao cargo, ele estará no palaque apoiando a volta do petista ao poder.

“Nesse cenário hipotético, de o presidente Lula poder ser candidato em 2022, certamente eu estarei neste palanque apoiando essa candidatura. Acho que seria a expressão da retomada de uma perspectiva de crescimento, com justiça social e distribuição de renda”, disse.

Confira a íntegra da entrevista:

Dino classifica a vertente política do atual presidente Jair Bolsonaro como “belicista” e “extremista”, que  se mantém alimentando conflitos “contra tudo e contra todos, tanto na área internacional quanto internamente”. “É a negação de toda a gloriosa tradição da diplomacia brasileira. Mesmo nos tempos sombrios da ditadura militar, havia uma política externa que buscava dialogar com todos. Essa é a tradição da Casa de Rio Branco. Estamos neste momento vivendo um ponto fora da curva na política externa brasileira”, criticou.

Base de Alcântara
O governador disse ser a favor do acordo para a utilização, por parte dos Estados Unidos, da base de lançamento de foguetes e satélites de Alcântara. Neste ponto, ele tenta demarcar uma posição diversa do governo Bolsonaro, apesar de apoiar o acordo articulado pelos governo.

Dino admite que há o risco de a base ser usada estrategicamente pelos Estados Unidos contra países vizinhos da América do Sul, mas afirma que o acordo não prevê alienação e, se isso acontecer, não será devido ao acordo, mas devido à política. “Lamentavelmente, isso pode acontecer, mas não em razão do acordo, e, sim, em razão da política. Ou seja, nós temos que ter a capacidade de mudar a política”, enfatizou o governador, que disse ser contra a remoção de qualquer família moradora das proximidades da base de lançamento.

Óleo na praia
O governador declarou que ainda aguarda um diagnóstico do governo brasileiro sobre as manchas de óleo que atingiram praias do Nordeste, entre elas a de seu estado. Ele reclama que o governo tardou em começar a tratar o assunto da mesma forma que demorou a tomar providência em relação aos incêndios que atingiram a Amazônia. “É preciso que o governo federal diga a quem para que possamos impor sanções”, reclama

Instituições
Dino foi juiz federal antes de entrar na política. Para ele, as notícias de envolvimento do presidente da República em um suposto esquema de uso de candidaturas laranjas, além de outras crises que resvalam no governo, servirão para demonstrar se o discurso contra a corrupção era para valer ou apenas uma forma de tomar o poder.

“Dependendo da resposta concreta que for dada pelas instituições, nós saberemos se o combate à corrupção e à ilegalidade é para valer. Eu espero que seja. Ou se era uma estratégia de tomada de poder contra o lulismo e de certos segmentos da política brasileira. Neste momento, tem que apurar tudo, são fatos graves”, enfatizou.

Ele critica a posição do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que, em sua avaliação, não poderia estar no ministério. “O erro é que o ministro Sergio Moro não deveria estar lá”, avaliou. “Ele teve um papel decisivo na política brasileira na medida em que inabilitou, tornou inelegível o ex-presidente Lula, por determinar a sua prisão e, portanto não poderia exercer uma função em um governo diretamente beneficiado por uma decisão sua”, observou. “O teste está menos sobre Moro e mais sobre as instituições”, enfatizou.

STF
Para Dino, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi lento ao refletir sobre excessos cometidos pela Operação Lava Jato, conduzida por Moro, e isso agora deságua em nulidades de processos. “O Supremo foi lento em refletir sobre fatos graves que estão cabalmente demonstrados, sobretudo em função dos vazamentos.”

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Ele ressalta que houve “sinais” ou “sintomas” que foram ignorados pela Corte. “Por exemplo, condução coercitiva. O Supremo assistiu a centenas de conduções coercitivas contra o texto literal do Código de Processo Penal. Letra expressa da lei desde 1941. Demorou anos para decidir aquilo que está escrito na lei. Essa lentidão acabou gerando nulidades processuais, o que não é o cenário melhor.”

Alianças
Ele tem se esforçado para conversar com várias frentes políticas, dos tucanos ao MDB de seu grande adversário no estado, José Sarney, passando pelo PDT e pelo PT, especialmente com o candidato derrotado por Bolsonaro, Fernando Haddad. O objetivo é formar uma frente ampla contrária ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), apesar de alguns partidos como o PDT e o PSB sinalizarem para projetos próprios, distintos de uma possível aliança com o PT.

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“Precisamos preservar neste caminho (de busca de alianças)”, disse. “Ele não é simples, mas teve muitas histórias exitosas no Brasil”, ponderou, citando a aliança que elegeu Getulio Vargas e que deu a vitória a Lula.

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