Ciro: Lava Jato só prestará bom serviço ao país se for equilibrada

Presidenciável pede punições a políticos de todos os partidos. Para ele, Lula "não é Satanás e nem Deus". Ele falou ao JN e à GloboNews

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atualizado 27/08/2018 23:09

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse nesta segunda-feira (27/8) defender a Operação Lava Jato, mas considerou que a ofensiva federal contra a corrupção precisa ser mais equilibrada. Segundo ele, integrantes do PSDB com “mil demonstrações de corrupção” não foram presos pelos investigadores. As declarações foram dadas em sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo. Tanto o noticiário quanto o Jornal das Dez, da GloboNews, iniciaram nesta noite série de entrevistas com os presidenciáveis: Ciro compareceu a ambos.

“A Lava Jato só prestará um bom serviço ao Brasil se ela for vista pela maioria ou pelo conjunto da sociedade como uma coisa equilibrada. Do lado do PSDB, não há nenhum na cadeia. Claro, ela é muito importante, tem gente do MDB e do PT na cadeia. Mas não há nenhum quadro, apesar de mil demonstrações de corrupção do PSDB, preso”, afirmou Ciro Gomes.

O pedetista foi questionado sobre declarações recentes nas quais criticou membros do Ministério Público e do Judiciário. Em julho, Ciro Gomes afirmou que, caso seja eleito presidente, restauraria a autoridade do poder político e colocaria juízes e promotores em suas “caixinhas”. Para ele, suas falas foram deturpadas. “Essas coisas são tiradas do contexto”, comentou.

Perguntado sobre denúncias de corrupção relacionadas ao presidente do PDT, Carlos Lupi, o presidenciável o defendeu. Afirmou que o líder pedetista terá lugar cativo em seu eventual governo. Ao proteger Lupi, Ciro cutucou o presidente Michel Temer (MDB). “Ele [Temer] é uma desgraça para o país. […] O senhor Michel Temer tem ao seu redor Eduardo Cunha, Geddel [Vieira Lima], [Eliseu] Padilha, Moreira Franco – todos notórios corruptos da vida brasileira”, disparou.

Lula
Ciro Gomes negou que sonhava com uma aliança com o Partido dos Trabalhadores para a formação de sua chapa na corrida ao Palácio do Planalto. “Essa história de que eu esperava apoio do PT jamais teve fundamento na minha vida”, disse.

Mas o pedetista voltou a fazer um leve aceno a simpatizantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril, após condenação em segunda instância na Lava Jato. Para Ciro Gomes, o líder petista “fez muita coisa boa”.

“Lula não é um satanás, como certos setores da imprensa e da opinião pública brasileira pensam. E também não é um deus, um anjo, como certos setores metidos a religiosos do PT pensam. Eu conheço o Lula há anos. Tive a honra de ser seu ministro. Foi um presidente que fez muita coisa boa”, ressaltou.

O ex-governador do Ceará defendeu a escolha da senadora Kátia Abreu (PDT-TO) como sua candidata a vice. Indagado sobre a ligação da parlamentar com setores do agronegócio (o que pode afastar votos de eleitores ligados à esquerda), Ciro declarou: “Nós nos completamos”.

GloboNews
Depois de ser entrevistado no JN, Ciro foi sabatinado pelo Jornal das Dez, da Globonews. O pedetista defendeu a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF) para financiar investimentos na saúde e prometeu, se eleito, valorização de professores da educação básica. “Não é possível que o magistério continue sendo tratado com a indignidade que é”, disse.

Para Ciro, a crise migratória de refugiados venezuelanos no Brasil é uma oportunidade para o país recuperar a liderança da América Latina. “Tivemos que assistir constrangidos a um arranhão terrível na imagem de generosidade que o Brasil tem diante do mundo todo porque deixamos meia dúzia de fascistas desesperados queimarem roupas de mulheres e crianças”, lamentou. “O Brasil precisa usar esse episódio para restaurar sua natural liderança. Sem qualquer tipo de hegemonismo, mas é nossa liderança”, advertiu o presidenciável.

Próximas entrevistas
O candidato do PDT à Presidência da República foi o primeiro presidenciável a ser sabatinado pelo Jornal Nacional e pelo Jornal das Dez. Nesta terça-feira (28/8), o entrevistado das duas atrações será Jair Bolsonaro (PSL). Na quarta (28), será a vez de Geraldo Alckmin (PSDB). Na quinta (30), Marina Silva (Rede) é a entrevistada. A participação do ex-presidente Lula foi vetada: a TV Globo e a GloboNews convidaram apenas os candidatos que poderiam participar presencialmente dos telejornais.

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