Bolsonaro: gestões passadas eram “indústrias de demarcação”

Durante evento no Pará, presidente defendeu projeto de lei apresentado ao Congresso para regulamentar exploração de terras indígenas

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 14/02/2020 16:55

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou nesta sexta-feira (14/02/2020) governos passados, afirmando que eles eram “indústrias de demarcação” de terras indígenas.

A declaração do presidente foi feita enquanto ele participava da inauguração da pavimentação dos últimos 51 quilômetros da BR-163 no Pará, antiga demanda do agronegócio.

“Não demarcamos, nos últimos 13 meses, uma só terra indígena. Nós já temos 14% do território nacional demarcado com terra indígena. Criaram uma verdadeira indústria da demarcação”, disse.

Bolsonaro acrescentou: “Gostamos, queremos o bem, amamos nossos irmãos índios, mas a política, até o ano retrasado implementada, [era] totalmente equivocada, que atendia a interesses de outros países. Não é à toa que um chefe de um grande estado da Europa atirou – de modo figurativo dizendo – em mim, no ano passado. A Amazônia é nossa”, afirmou, se referindo a críticas feitas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, ao governo brasileiro pela atuação no que diz respeito ao meio ambiente.

Durante seu discurso no evento, o presidente da República ainda defendeu o projeto de lei, de autoria do governo, que prevê a exploração de terras indígenas. A proposta foi encaminhada ao Congresso Nacional no início de fevereiro e será analisada pelos parlamentares.

“Nós queremos integrar [os índios]. Não admitimos aqueles que querem que o índio permaneça como homem pré-histórico, preso em seu território. Apresentamos um projeto que não visa apenas dar direito a que se garimpe em terra indígena; nós queremos nesse projeto que o índio tenha o mesmo direito que seu irmão fazendeiro, do lado, tem: garimpar, cultivar, garimpar, arrendar sua terra; se for o caso, construir PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), construir hidrelétricas. O índio é nosso irmão; estamos buscando integrá-lo à sociedade e eu sempre me coloquei do outro lado para tomar uma decisão”, concluiu.

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