O presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez sua segunda transmissão semanal ao vivo, pelo Facebook, no início da noite desta quinta-feira (14/3). A maior parte da “live” se dedicou a comentar a ida aos Estados Unidos. Desta vez, em cerca de 15 minutos, Bolsonaro confirmou que assinará um acordo com o governo norte-americano para utilização da base de Alcântara, no Maranhão, reclamou das placas do Mercosul em carros brasileiros e voltou a citar a importação de bananas do Equador, ao reclamar de um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo no último domingo (10).

Nesta semana, o presidente teve ao seu lado os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. Araújo acompanhará Bolsonaro na ida aos Estados Unidos e aproveitou para exaltar o estreitamento dos laços com o país de Donald Trump. As próximas viagens, citadas pelos dois, serão ao Chile e a Israel, que já estavam programadas. Também foi confirmado que Bolsonaro irà China no segundo semestre deste ano.

“Essa visita vai ser a retomada de uma parceria natural” entre Brasil e Estados Unidos, disse Araújo. Para ele, a relação entre os dois países estava “negligenciada” e citou que o Barão de Rio Branco, morto há mais de um século, via a relação com os norte-americanos como “absolutamente essencial” para a diplomação brasileira.

Araújo também confirmou que um dos objetivos do encontro é a assinatura do acordo para a utilização da base militar de Alcântara, no Maranhão. Segundo ele, o acordo envolverá salvaguardas tecnológicas para o lançamento de satélites no Brasil. “Sem tecnologia americana ,ninguém faz lançamento de satélite”, disse o ministro.

Bolsonaro também destacou o acordo que, segundo ele, está travado desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por “questões ideológicas”. “Estamos perdendo dinheiro naquela região há muito tempo”, completou.

Mandetta, por sua vez, anunciou a antecipação da campanha de vacinação contra a gripe no Amazonas, onde um surto da doença preocupou o Ministério da Saúde.

O presidente também lamentou o massacre em Suzano, interior de São Paulo, e se disse chocado. “Uma barbaridade que a gente não consegue entender”, disse o presidente. Segundo ele, o governo “fará o possível” para que algo semelhante não volte a acontecer.

Críticas
Ao citar o leilão de 12 aeroportos que será realizado nesta sexta (15), Bolsonaro disse que o objetivo é desafogar o Estado. “Infelizmente, onde o Estado brasileiro está, dificilmente as coisas dão certo”, disse, aproveitando para criticar governos anteriores, dizendo que ainda acha “muita coisa errada” nos ministérios, em referência aos cargos nas pastas. Segundo ele, agora a maior parte dos parlamentares não tem pressionado por ministérios.

O presidente também reclamou das novas placas dos carros, que têm o padrão do Mercosul. Segundo ele, a ideia é conversar com o ministro Tarcísio Vieira, da Infraestrutura, para revogar as placas. “Não traz, no meu entender, benefício para o Brasil essa placa do Mercosul. É um constrangimento, é uma despesa a mais para a população”, disse Bolsonaro. As placas com o novo padrão ainda não são obrigatórias.

Comunicação
Na semana passada, de surpresa, Bolsonaro fez sua primeira “live”, anunciada minutos antes do início em seu Twitter. Ele anunciou que vai mudar suas lives para as 19h, pois recebeu reclamações de seus seguidores que ainda estavam em trânsito após o trabalho.

As transmissões ao vivo fazem parte de uma tentativa de mudança na estratégia de comunicação de Bolsonaro, que já teve diversas polêmicas envolvendo seu Twitter pessoal desde o início do mandato. No último episódio, no início desta semana, ele reproduziu uma notícia falsa de um site bolsonarista, acusando uma repórter de querer “arruinar Flávio Bolsonaro”, senador e filho do presidente.

A informação falsa foi retuitada por Bolsonaro na noite de domingo (10). A postagem do blog era acompanhado de um áudio, com uma transcrição manipulada. O portal francês Mediapart, usado como fonte do blog, desmentiu a publicação.