Enviada especial a São Paulo (SP) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) reassumiu a presidência da República antes de completarem as 48 horas de observação após sua cirurgia para retirada da bolsa de colostomia, mesmo com diversas restrições médicas. Desde então, a agenda oficial ficou quase vazia, e poucas decisões que saíram de lá foram divulgadas pelo Planalto. Ao mesmo tempo, perguntas relacionadas a casos polêmicos não foram respondidas.

As mais recentes informações médicas, divulgadas na sexta (1º/2), dizem que o presidente está com boa evolução clínica e apresenta início dos movimentos intestinais, mas a alimentação continua sendo endovenosa. Bolsonaro tem realizado fisioterapias e curtas caminhadas no corredor. Para a próxima semana, espera-se que ministros mais próximos e o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), possam ir até ele.

Ao longo da semana, na parte da tarde, o porta-voz do governo, Otávio Rêgo Barros, colocou-se disponível à imprensa durante alguns minutos para passar o resumo do dia de Bolsonaro. A explanação ocorria numa estrutura montada na área de eventos do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, logo ao lado da entrada principal. Na sexta, o briefing aconteceu em Brasília, no próprio Planalto.

As primeiras informações divulgadas durante a coletiva eram sobre sobre o estado de saúde do presidente. Depois, as medidas relacionadas à tragédia ambiental de Brumadinho ocuparam boa parte da entrevista nos primeiros dias. Outros assuntos prioritários para o governo, como a reforma da Previdência, foram brevemente comentados. Os jornalistas tiveram liberdade para perguntar sobre todo o cenário político, mas nem sempre havia respostas.

Apesar de ter sido questionado, Rêgo Barros não comentou a respeito da opinião de Bolsonaro quando o ex-presidente Lula foi autorizado e decidiu não encontrar a família depois do sepultamento do irmão Vavá; não falou sobre a repercussão da matéria da revista Época em que índios se colocam contra à criação de Kajutiti Lulu Kamayurá pela ministra Damares Alves; tampouco falou sobre a decisão do ministro do STF Marco Aurélio de Mello, que negou a suspensão da investigação do caso Coaf pelas autoridades do Rio de Janeiro, solicitada pelo filho e senador eleito Flávio Bolsonaro.

Paciente inquieto
As recomendações médicas eram para que o presidente evitasse falar e receber visitas, mas não foram seguidas à risca pelo paciente. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi quem esteve, por vezes acompanhadas de outros filhos do presidente, perto do marido durante a semana. Na quinta-feira (30), Bolsonaro assinou papéis levados pelo subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Antônio de Oliveira Francisco. No mesmo dia, ele fez ligações para os oito candidatos à presidência do Senado.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, colaborou para a montagem de um gabinete improvisado na antessala do quarto onde Bolsonaro está internado. O ambiente possui computador, telefone, internet e impressora.

Foi de lá que os dois tiveram uma reunião de pouco mais de 10 minutos por videoconferência. Esse foi um dos momentos compartilhados na conta do presidente no Twitter, canal utilizado com frequência no seu dia a dia. Um vídeo em que Jair Bolsonaro aparece enxugando lágrimas ao escutar a música “Evidências” foi compartilhado pela mesma rede.

Procedimento cirúrgico
O procedimento realizado nessa segunda-feira (28/1) foi comandado pelo médico gastroenterologista Antonio Luiz Macedo. Na ocasião, a equipe do hospital retirou a bolsa de colostomia que era usada por Bolsonaro desde a segunda cirurgia, realizada após ele sofrer um atentado durante a campanha eleitoral.

O presidente da República está internado desde domingo (27/1) e deve permanecer no hospital até sua completa recuperação. Até terça-feira (29/1), o general Hamilton Mourão comandou o Palácio do Planalto como presidente em exercício.

Ataque
Essa foi a terceira vez que o presidente se submeteu a procedimento cirúrgico desde que levou uma facada na barriga, no dia 6 de setembro de 2018. Atingido no intestino, Jair Bolsonaro teve de usar bolsa de colostomia.

O atentado aconteceu durante agenda da campanha presidencial em Juiz de Fora (MG). Adélio Bispo, responsável pelo crime, foi preso minutos depois e está detido no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS).