O presidente Jair Bolsonaro (PSL) viajará, neste domingo (17/3), para sua primeira visita a outro chefe de Estado. O mandatário brasileiro deixa o Brasil, a partir da Base Aérea de Brasília, com destino a capital dos Estados Unidos, Washington. O porta-voz do Planalto, general Otávio Rêgo Barros, informou que ele e o presidente norte-americano, Donald Trump, devem discutir a relação bilateral entre os país e o encontro tem “por objetivo promover agenda de resultados positivos em diversas áreas e destravar temas que já estavam na pauta”.

Desde 2016 um presidente do Brasil não cumpre o ritual de visitar um mandatário de outra nação oficialmente. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez sua primeira visita oficial ao Equador, em janeiro de 2003. No segundo mandato, em 2007, ele foi aos Estados Unidos. Já Dilma Rousseff (PT) foi à Argentina para sua primeira visita a outro chefe de Estado, em 2011. Reeleita, ela foi à Bolívia em 2015: acabou destituída do poder antes de ir aos Estados Unidos, em 2016, visitar Barack Obama. Coube ao seu sucessor, Michel Temer (MDB), cumprir o compromisso com o norte-americano, no mesmo ano do impeachment de Dilma Rousseff.

Bolsonaro e sua comitiva ficarão na Blair House, anexa à Casa Branca. O presidente brasileiro será recebido para uma reunião no Salão Oval da Casa Branca e para um almoço com Trump. Segundo o comunicado do governo norte-americano sobre a agenda, os dois presidentes vão discutir cooperação em questões de defesa dos países, políticas de comércio e combate ao crime transnacional.

Rêgo Barros disse ainda que a previsão inicial do cronograma inclui um jantar, no dia 18, com autoridades brasileiras e “formadores de opinião” na residência do embaixador brasileiro em Washington. Entre os convidados, ainda não confirmados segundo o porta-voz, está o “guru” da nova direita brasileira, Olavo de Carvalho, e o ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon. Segundo o porta-voz, não há previsão de encontro exclusivo do ex-astrólogo com Bolsonaro.

O presidente da República será acompanhado, além do próprio Rêgo Barros, pelos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; da Justiça, Sergio Moro; da Economia, Paulo Guedes; da Agricultura, Tereza Cristina; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e do deputado federal e filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ainda não está confirmada a ida do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

A agenda do brasileiro durante os três dias no exterior ainda está sendo organizada, mas também prevê, no dia 18, uma audiência com o ex-secretário do Tesouro norte-americano, Henry Hank Paulson. Os ministros devem participar de painéis de discussão sobre economia brasileira e relação bilateral Brasil-EUA na Câmara de Comércio norte-americano (Chamber of Comerce).

Na terça-feira (19), Bolsonaro se reúne pela manhã com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, na Blair House. Em seguida, a comitiva deve se encaminhar para assinar o livro de visitas da Casa Branca no Salão Roosevelt. Bolsonaro se encontra com Trump em seguida, no Salão Oval. Uma declaração à imprensa com duração de 30 minutos, no Rose Garden da Casa Branca, deve fechar o encontro.

Venezuela na agenda
Há expectativa de os presidentes das duas nações discutam a crise venezuelana, bem como o papel de Brasil e Estados Unidos no que os dois países chamam de “restabelecimento da democracia na Venezuela” e na garantia de ajuda humanitária à população do país.

Os presidentes devem assinar alguns acordos, mas segundo o porta-voz do Planalto ainda não há informações concretas sobre os compromissos a serem firmados.

Antes do retorno, o presidente se encontrará com lideranças religiosas na Blair House e participa de mais um jantar. Uma semana após a partida, na noite de 19 de março, Bolsonaro regressa ao Brasil: a chegada em Brasília está prevista para o início da manhã de segunda-feira, dia 20.