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Erra quem pensa que o senador Alvaro Dias (PR) manteve como blefe a pré-candidatura pelo Podemos à Presidência da República. Disposto a participar da corrida pelos votos nacionais, o paranaense descartou a possibilidade de disputar o governo de seu estado, onde teria boas chances de vitória, e confirmou a decisão de enfrentar políticos que chegarão à campanha com vantagem porque são mais conhecidos pela população. “Minha candidatura é irreversível”, disse.


Durante entrevista ao Metrópoles, na última quarta-feira (28/2), o senador – que ainda não conseguiu pontuar nas pesquisas – sugeriu de onde virá sua competitividade com os demais candidatos. “Muitas vezes analisa-se apenas o item ‘intenção de voto’ e não se analisa ‘rejeição’. A intenção de voto é ainda algo possível, porque haverá nuances, alterações, percalços”, observou.

Político há 50 anos, Alvaro Dias pretende, se eleito, adotar medidas impopulares no meio do qual faz parte. Planeja “refundar a República” propondo iniciativas de austeridade. Também se diz a favor do fim do foro privilegiado: “Trata-se de uma proteção para os marginais que se vestem de autoridades. É preciso acabar com eles. Hoje, o país é o paraíso da impunidade”, considerou.

Assista à íntegra da entrevista de Alvaro Dias ao Metrópoles:

Embora o histórico da carreira política de Alvaro Dias aponte para a infidelidade partidária (já trocou de legenda sete vezes), o pré-candidato justificou as mudanças como a única alternativa que ele encontrou a fim de manter seus princípios. “Se eu mudei de agremiação, foi para não mudar de lado, foi para não barganhar as minhas convicções. Isso é demonstração de personalidade. Muitas vezes, mudei para fugir da corrupção”, argumentou.

Veja o que disse sobre fidelidade partidária:

O pré-candidato ao Planalto listou práticas que tem adotado, segundo ele há mais de década, para indicar como seria seu estilo à frente do Executivo. “Por exemplo, aposentadoria de ex-governador: eu abri mão disso, que seria mais de R$ 11 milhões. Não é uma renúncia eleitoreira. Há 10 anos, não recebo o auxílio-moradia. A verba indenizatória, eu não recebo há 10 anos também”, afirmou.

Provocado a explicar como, diante de tantas renúncias a benefícios, teve o nome envolvido na chamada “farra das passagens” – escândalo de 2009 que revelou uso indevido da cota parlamentar para a compra de bilhetes aéreos a familiares de membros do Legislativo –, Alvaro Dias se disse injustiçado com a acusação. Segundo ele, o que houve foi uma emissão equivocada de bilhete aéreo para seu filho. Outras duas passagens – totalizando, assim, três bilhetes destinados a terceiros – serviram para auxiliar dois padres que fariam uma viagem religiosa a Buenos Aires, na Argentina.

“Eu economizo bem mais de dois terços da minha cota de passagem. Naquela época, não era uma farra. Era legal, era o procedimento adotado. Eu uso exclusivamente para me locomover do meu estado a Brasília e, eventualmente, quando há um compromisso oficial em outro estado”, disse.

Confira a explicação do senador sobre a polêmica: 

As críticas do presidenciável ao sistema político nacional incluíram também o resultado prático do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Teria valido a pena se tivesse sido completo. Foi a principal razão de eu ter deixado o PSDB. Eu denunciei, e o Tribunal de Contas até investigou essa denúncia de que o vice-presidente [Michel] Temer (MDB) também tinha praticado as pedaladas. Se nós fizéssemos o impeachment completo, teríamos eleição direta imediatamente e, portanto, teríamos antecipado uma solução que ainda não chegou"

Assista ao trecho: 

Quem tem medo da concorrência?
Sobre a campanha eleitoral que se aproxima, em um dos mais conturbados períodos políticos da história recente do país, o postulante a presidente afirmou não ter medo da concorrência, por entender que os eleitores não querem “aventureiros” ou outsiders.

Veja o que disse sobre dois de seus possíveis adversários:

 

O congressista rebateu, durante a entrevista, o deboche feito pelo senador Roberto Requião (MDB-PR), quando publicou no Twitter uma foto do colega com o cachorro no colo. Na legenda, o emedebista sugeria que o cão seria o possível vice do presidenciável. Embora diga ter recebido a “brincadeira” com bom humor, Alvaro Dias disparou: “Hugo Henrique, que é o nome do meu cachorro, ganharia de muitos dos meus adversários se eu pudesse registrar a candidatura dele”.

Kácio Pacheco/Metrópoles

Assista ao momento em que ele alfineta os adversários: 

Por enquanto, Alvaro Dias descarta alianças com partidos maiores e minimiza a recente aproximação do polêmico deputado federal Marcos Feliciano, que recebeu convite para ingressar no Podemos.

Sobre outros possíveis aliados que poderão ajudá-lo na disputa ao Planalto, Alvaro Dias cita o colega de parlamento José Reguffe (sem partido-DF), o qual classificou como um entusiasta de sua proposta alternativa: “Tenho absoluta convicção de que ele estará do nosso lado, defendendo nosso projeto”.

Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles