Policiais que “acobertaram” patroa que agrediu doméstica são afastados

Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou, também, que abriu sindicância para apurar a conduta dos policiais militares

atualizado

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Foto genérica de sirene para matérias policiais
1 de 1 Foto genérica de sirene para matérias policiais - Foto: O2O Creative/Getty Images

Quatro policiais militares que atuaram na ocorrência do caso da empregada doméstica grávida agredida pela patroa no município de Paço do Lumiar, na Grande São Luís (MA), foram afastados. A informação foi confirmada pelo Metrópoles, nesta quarta-feira (6/5).

Eles são suspeitos de terem acobertado a ação e liberado a patroa, sem que ela fosse presa ou levada à delegacia. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) identificou os policiais e abriu uma sindicância para apurar a conduta dos PMs.

A atuação dos policiais passou a ser investigada, a partir de áudios enviados pela patroa, identificada como Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, a amigos em um grupo de WhatsApp.

Carolina relatou que uma viatura da PM chegou a abordá-la no dia do crime, mas que ela foi liberada por um policial que a conhecia.

Segundo o relato da agressora, o policial a alertou: “Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas”.

Relembre o caso

As agressões contra a doméstica ocorreram no dia 17 de abril, após a patroa acusá-la de furtar um anel. O objeto, no entanto, foi encontrado no mesmo dia dentro de um cesto de roupas.

Nos áudios enviados aos amigos, Carolina detalhou como foram as agressões. Ela contou com a ajuda de um amigo armado, que colocou a vítima de joelhos e inseriu uma arma na boca dela. A funcionária tem 19 anos e está grávida de seis meses.

Sob ameaça, a doméstica foi obrigada a se ajoelhar enquanto o homem lhe desferia coronhadas e a patroa a agredia com tapas.

“Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto que até hoje minha mão está aqui inchada”, confessou Carolina nos áudios.

O delegado Walter Wanderley, da 21ª Delegacia de Polícia Civil de Araçagi, informou que pediu a prisão preventiva da patroa e tenta identificar o comparsa que a auxiliou nas agressões.

imagem colorida de empregada doméstica agredida por patroa no maranhão
Hematomas das agressões sofridas pela empregada doméstica

“Achei que não sairia viva”

Em entrevista ao Metrópoles, a doméstica disse que chegou a acreditar que não sobreviveria.

“Ele falou que se o anel não aparecesse logo, eles iam me levar para um sítio. A Carolina até citou que ia preparar um sonífero pra poder me colocar no carro. Eu já sabia que eu não sairia viva dali. Estava sendo espancada. Eu não sabia onde o anel estava, não sabia se ele estava na casa ou se ela tinha perdido fora. E pelas atitudes deles, eu não ia sair viva mesmo”, detalhou.

Em meio às agressões e torturas, o comparsa da patroa falou para a doméstica que, caso o anel não aparecesse, ela “iria perder o filho”. Segundo a vítima, ela levou vários socos e tentou, a todo momento, proteger a barriga.

“A minha preocupação estava o tempo todo no meu filho. Meu desespero estava no que ia acontecer comigo e com o meu neném”, relata ela.

A funcionária havia aceitado o contrato de um mês para trabalhar na casa de Carolina, com o intuito de conseguir dinheiro para pagar o enxoval do bebê

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