Polícia ouve testemunhas sobre sumiço de jornalista e indigenista

As duas pessoas provavelmente tiveram contato com Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips pouco antes deles desaparecerem

atualizado 07/06/2022 12:19

Indigenista Bruno Araújo Pereira e jornalista Dom Phillips. O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram no domingo (5/6) Arquivo pessoal

Duas testemunhas são ouvidas na manhã desta terça-feira (7/6), pela Polícia Civil do Amazonas (PCAM), sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian.

As duas pessoas provavelmente tiveram contato com os dois antes do desaparecimento.

Elas foram encontradas e levadas à delegacia, na tarde dessa segunda-feira (6/6), por equipes de busca da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Atalaia do Norte.

De acordo com o delegado Guilherme Torres, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI) outra equipe, já designada, irá prestar apoio nas buscas durante esta terça-feira.

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“A PCAM esclarece que está tomando todas as providências cabíveis para elucidar o caso, atuando juntamente com outros órgãos da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSPAM)”, informou a corporação, em nota.

Buscas

Autoridades de segurança retomaram as buscas pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos no Vale do Javari, no Amazonas.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, delegado Anderson Torres, informou que a Força Nacional também participa das buscas.

“Desde o amanhecer de hoje, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Força Nacional e da Polícia Federal, segue à procura dos dois desaparecidos”, escreveu ele, no Twitter.

A Marinha do Brasil, responsável por conduzir as buscas, anunciou que enviou mais um helicóptero do 1º Esquadrão de Emprego Geral do Noroeste, duas embarcações e uma moto aquática para as operações no local.

Entenda o caso

Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o jornalista e o indigenista se deslocaram com o objetivo de visitar a equipe de vigilância indígena que atua próxima ao Lago do Jaburu. O jornalista pretendia realizar algumas entrevistas com os habitantes daquela região.

Segundo os relatos, os dois desapareceram quando faziam o trajeto da comunidade Ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte. O desaparecimento ocorreu no domingo (5/6).

Indigenista renomado

Bruno é considerado um dos indigenistas mais experientes da Funai. No órgão desde 2010, ele foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte por cinco anos. Acabou demitido, em 2019, após combater mineração ilegal em Terras Indígenas.

A exoneração de servidor ocorreu no momento em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou um projeto para liberar garimpos nas reservas.

O indigenista está licenciado da Funai, e atualmente faz parte do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente (Opi).

Jornalista prepara livro

Dom Phillips é um jornalista colaborar do jornal britânico The Gardian. Ele se mudou para o Brasil em 2007 e mora em Salvador.

Phillips está trabalhando em um livro sobre meio ambiente, com apoio da Fundação Alicia Patterson.

Além do The Guardian, Phillips já publicou trabalhos no Financial Times, New York Times, Washington Post e em agências internacionais de notícias.

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