A professora Marilena Ferreira Umezu foi a primeira das oito vítimas do tiroteio em Suzano, ocorrido na manhã desta quarta-feira (13/3). A coordenadora da escola estadual Raul Brasil reconheceu os atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, que eram ex-alunos da instituição, e permitiu, com um sorriso, que eles entrassem no prédio. Foi morta logo em seguida.

Segundo a polícia paulista, os atiradores atingiram primeiro Marilena, e, em seguida, mataram outra funcionária, Eliana Regina de Oliveira Xavier. Cinco jovens, todos estudantes do ensino médio, e um comerciante da região também perderam a vida no ataque.

A investigação aponta que, após os assassinatos, Guilherme matou Luiz Henrique e depois se suicidou. Segundo a polícia, os dois tinham um pacto de que fariam o ataque e depois se matariam. E que andavam pesquisando na internet massacres em escolas dos Estados Unidos.

“Ela não era um alvo específico. Era uma pessoa dedicada, querida e fazia tudo pelos alunos. Vivia a educação com intensidade e era generosa, colaborava com coordenadores de outras escolas da cidade”, contou à BBC Brasil a professora de português Elo Ferreira, que trabalhou com Marilena por 10 anos.

Marilena leciona filosofia ao ensino médio e foi promovida a coordenadora pedagógica da instituição graças à boa relação que mantinha com os corpos docente e discente. Nas redes sociais, a servidora postava fotos de suas netas, a quem chamava de “meus presentes”. Os perfis, contudo, foram desativados após a tragédia. A professora também deixa marido e filhos.

Em janeiro de 2019, ela fez uma postagem nas redes sobre a questão do porte de armas. No texto publicado em seu perfil no Facebook, ela afirmou: “Somos a favor do porte de livros, pois a melhor arma para salvar o cidadão é a educação”.

Marilena é lembrada pelos alunos como atenciosa: gostava de usar seu tempo livre para aconselhar e acalmar os estudantes estressados com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).