Em GO, polícia prende quadrilha “ostentação” que levava droga à Europa

Polícia Civil de Goiás prendeu seis criminosos nesta sexta-feira (09/08/2019)

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atualizado 09/08/2019 17:49

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) prendeu, nesta sexta-feira (09/08/2019), seis criminosos acusados de fazerem parte de uma organização que traficava drogas para a Europa. O grupo ostentava aeronaves, carros de luxo e viagens para Dubai, como mostraram fotos divulgadas pelos policiais. Uma pessoa está foragida.

A operação, batizada de Icarus, foi realizada pela PCGO por meio do Grupo Antissequestro (GAS). A investigação policial durou cerca de seis meses, segundo a corporação.

A apuração iniciou a partir do desaparecimento do piloto Bruce Lee Carvalho dos Santos, ocorrido em 12 de dezembro do ano passado. Durante as investigações, a polícia descobriu que o piloto fazia parte de uma grande organização criminosa voltada para o tráfico de drogas e lavagem de capitais.

A organização cooptava pilotos de aeronaves para realizarem voos com o propósito de buscar drogas em países vizinhos ao Brasil, principalmente Bolívia, Colômbia e Peru. Essas viagens são extremamente arriscadas, segundo a polícia.

Os criminosos usavam aeronaves modificadas para aumentar a autonomia, reabasteciam durante o voo com galões de combustível e voavam extremamente baixo para fugir do controle aéreo, além de utilizarem equipamentos de localização, como transpônder, desligados.

Assim, a droga era trazida, via estado do Pará com destino a Goiás, na conhecida “rota caipira” do tráfico de drogas. Já no Brasil, os entorpecentes eram armazenados e preparados para serem exportados para países da Europa, entre eles França, Holanda, Alemanha e Bélgica.

“Diversos artifícios eram utilizados para a remessa da droga escondida em meio a produtos destinados à exportação, como granito e mármore, e também em cargas de gêneros alimentícios”, explica a Polícia Civil.

No caso de cargas menores, a organização usava “mulas”, que levavam o entorpecente em voos regulares para a Europa. Parte da quadrilha era especializada na lavagem do dinheiro oriundo da atividade criminosa por meio de empresas, para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o crime.

A organização era comandada por um holandês radicado no Brasil. Os membros viviam uma vida de luxo, ostentando em carros de luxo.

A Polícia Civil apreendeu dois jatos utilizados pelo bando, ambos (Dassault Falcon e Cessna Citation) de propriedade dos chefes da organização, e um helicóptero (Eurocopter EC 130). As aeronaves eram usadas com frequência.

“No tocante a Bruce Lee Carvalho dos Santos, sabe-se que este pilotava um avião Piper Sêneca de prefixo PT-VPH de propriedade da organização criminosa à época do desaparecimento. Assim como o piloto, a aeronave encontra-se desaparecida desde o mês de dezembro de 2018”, explica a corporação.

Há indícios, no entanto, de que o piloto tenha caído em um lago na Bolívia após colidir com um fio de alta tensão, embora o avião e o corpo nunca tenham sido encontrados.

Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão. Seis pessoas foram presas nos estados de Goiás, São Paulo e Pará. Uma está foragida. Foram apreendidos ainda 11 veículos, sendo cinco em São Paulo, cinco em Goiânia e um no Pará.

A Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) apreendeu R$ 571 mil e US$ 77 mil, dois jatos executivos e um helicóptero, além de um jet-ski. Uma das aeronaves foi apreendida em Sorocaba, interior paulista e as outras duas em Goiânia. Os policiais civis também apreenderam oito relógios Rolex e cinco Hublot.

Sobre o nome da operação
A operação foi batizada com o nome Icarus em referência ao personagem da mitologia grega. Icarus é um deus que voou muito próximo do sol e acabou morrendo porque suas asas eram de cera e derreteram.

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