PM de SP que ameaçou de estupro companheira de corporação é suspenso

Uma soldado da Polícia Militar de São Paulo denunciou tenente-coronel. Ela ainda alega ameaças de morte

atualizado 29/04/2021 12:06

Arquivo pessoal

São Paulo – O tenente-coronel da PM Cássio Novaes foi afastado do cargo e está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar após ser acusado pela soldado Jéssica Paula do Nascimento, de 28 anos, de assédio sexual e ameaças de morte e de estupro.

Ao G1, o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, disse que a conduta do militar é “ultrajante e inaceitável”.

“A sociedade não pode aceitar de forma alguma, em pleno século 21, que alguma pessoa use de sua condição de superior hierárquico para constranger, ameaçar ou assediar, seja sexual ou moralmente, uma mulher”, enfatizou o ouvidor.

Elizeu afirmou que a ouvidoria tomou providências e solicitou informações sobre os procedimentos da corregedoria.

“Após aberto o Inquérito Policial Militar (IPM), tem-se o prazo de 40 dias, a priori, tempo que pode ser prorrogado caso necessário, a fim de que sejam apuradas todas essas condutas apontadas pela policial que o denuncia”, explica.

Dependendo do andamento do inquérito, o Ministério Público Militar (MPM) terá embasamento para denunciar o tenente-coronel. Caso seja condenado pela Justiça militar, Novaes, que atuava na capital paulista, poderá ser expulso da corporação e preso.

Vítima

A soldado Jéssica atua no 45° Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Praia Grande (SP). A militar conta que o assédio do policial teve início em 2018. Pontua ainda que, apesar de ter dito que era casada e tinha filhos, o oficial não cedeu.

“Depois desse dia, minha vida virou um inferno”, contou a soldado. De acordo com o relato de Jéssica, o tenente-coronel seguiu com as investidas sexuais, passou a ameaçá-la por áudios, sabotá-la e humilhá-la em frente a outros policiais.

Jéssica denunciou o militar na Corregedoria da PM em abril. Tomou a decisão após ser enganada pelo superior. O tenente-coronel disse que a levaria ao Departamento Pessoal para pedir a transferência dela para o litoral paulista, mas o DP estava fechado. O homem pretendia levá-la a um hotel.

“Eu pensei que precisava de provas, porque ele sempre ia fazer isso e ninguém ia acreditar. Entrei em contato com um advogado, e ele me orientou a ver até onde ele iria, deixando ele falar. Foram coisas muito baixas. Me ameaçou de estupro e de morte”, afirmou Jéssica.

Em seu Instagram, a soldado conta sobre o caso:

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