Playboy e dono de indústria das armas, Tony Mayrink Veiga morre aos 89

Conhecido playboy carioca nas décadas de 1950, 60 e 70, Tony herdou do pai, Antenor, a Casa Mayrink Veiga, fundada em 1864 e fornecedora de armas para o Exército desde a Guerra do Paraguai

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1 de 1 tony mayrink veiga - Foto: Reprodução

Faleceu nesta terça-feira (28/6), no Rio de Janeiro o empresário Antônio Mayrink Veiga, conhecido como Tony, de 89 anos. A família confirmou a morte, mas não deu informações sobre a causa. Tony, como era conhecido, sofria de problemas cardíacos – vítima de três enfartes, usava 11 stents. Ele deixou viúva a socialite Carmen Mayrink Veiga, de 87 anos, com quem era casado havia 60 anos e com quem dividia um luxuoso apartamento no Flamengo (zona sul do Rio). O casal teve dois filhos, Antenor e Antônia.

Conhecido playboy carioca nas décadas de 1950, 60 e 70, Tony herdou do pai, Antenor, a Casa Mayrink Veiga, fundada em 1864 e fornecedora de armas para o Exército desde a Guerra do Paraguai – nos anos 1980, passaria de representante a fabricante de armamentos. Tony também foi dono da Rádio Mayrink Veiga, fechada pela ditadura militar em 1965, e chegou a ter uma holding de oito empresas.

Milionário e aficionado por caçadas, Tony participou de safáris na África e na Europa. Enquanto a mulher se divertia em jantares, bailes e desfiles de moda, Tony, discreto e avesso a badalações, chegou a pagar US$ 150 mil por uma expedição à África que incluiu caçadas a elefantes, búfalos e rinocerontes. Um bimotor abastecia o acampamento – a água servida era da marca francesa Evian, contou ele em uma entrevista à revista Veja.

Seus negócios começaram a fazer água com o confisco da poupança no governo de Fernando Collor, em 1990. Em 1993, o conglomerado inglês Ferranti, fornecedor de sistemas de defesa, foi à falência. Tony representava esse grupo no Brasil e afirmava que os ingleses deixaram dívidas com a Casa Mayrink Veiga. Ele também afirmou ter sido prejudicado pela quebra da Indústria Verolme, que ficou com dois navios equipados pela Mayrink Veiga no estaleiro.

Após empréstimos e tentativas de renegociação da dívida, Tony foi alvo de ações judiciais e teve bens levados a leilão.

No primeiro deles, em maio de 1995, perderam o Rolls-Royce 1951 em que Carmen chegou à igreja da Candelária, no centro do Rio, no dia de seu casamento. Depois foram leiloados quadros e outras obras de arte. As dívidas do empresário estavam em discussão na Justiça pelo menos até o ano passado.

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