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Brasil

Conheça os planos econômicos de Lula e Flávio para os próximos anos

Propostas de Lula e Flávio para a economia vão desde a manutenção de regras fiscais e investimentos públicos até cortes de gastos

24/10/2026 04:30
Arte/Metrópoles
Lula x Flávio

Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já definiram os seus planos de governo, com diretrizes para áreas fundamentais, como saúde, educação e segurança pública.

Com isso, já foram identificadas propostas econômicas com abordagens distintas envolvendo política fiscal, tamanho do Estado, trajetória da dívida pública e modelo de crescimento.

Os documentos de campanha dos candidatos já indicam divergências na condução do arcabouço fiscal, na política de privatizações e no uso de estatais e bancos públicos. Abaixo, listamos as propostas dos presidenciáveis.

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Confira o plano econômico dos candidatos:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O programa econômico do presidente Lula tem como eixo a manutenção do arcabouço fiscal aprovado em 2023, que estabelece metas de resultado primário com bandas de tolerância, combinado à retomada do investimento público como instrumento de estímulo ao crescimento.

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“O crescimento sustentado depende da nossa capacidade de continuar mobilizando as potencialidades da economia brasileira e suas principais frentes de expansão: os investimentos produtivos públicos e privados, puxados pela ampliação e qualificação das infraestruturas logísticas, urbanas e sociais.”

A estratégia inclui a ampliação de investimentos em infraestrutura por meio do Novo PAC, com foco em logística, habitação, saneamento e energia, além da retomada de projetos considerados prioritários.

No campo industrial, o governo aposta na Nova Indústria Brasil (NIB), política voltada à reindustrialização e ao incentivo a setores estratégicos, como tecnologia, inovação e transição energética. Na área social, o plano se apoia na valorização do salário mínimo com ganho real, na manutenção e ampliação de programas como o Bolsa Família e na expansão de políticas de transferência de renda e consumo.

“Estamos comprometidos com a proteção das crianças e de suas infâncias, do que são exemplo as medidas que implantamos, como os benefícios especiais do Bolsa Família para crianças e adolescentes, a proibição de celular nas escolas, os investimentos na construção de creches e pré-escolas por meio do Novo PAC, a expansão da educação em tempo integral, a retomada e o fortalecimento do programa de vacinação, e o ECA digital. Continuaremos buscando ampliar e fortalecer as políticas para nossas crianças, por meio do enfrentamento da pobreza infantil, da garantia de acesso às políticas públicas e do direito ao brincar”, afirma o plano de Lula.

A agenda fiscal inclui ainda medidas de aumento de arrecadação, como revisão de renúncias tributárias e combate à evasão, além da implementação da reforma tributária sobre o consumo, já aprovada e em fase de regulamentação.

O governo também reforça o papel de bancos públicos e estatais no financiamento do desenvolvimento, com expansão do crédito direcionado a famílias e empresas.

“O resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções.”

No campo trabalhista, uma das principais apostas do governo Lula para a agenda econômica e política é o fim da escala 6×1, regime em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso.

A proposta, aprovada no Congresso Nacional, prevê a substituição do modelo por uma jornada mais próxima de 5×2, com dois dias de descanso semanal, e redução gradual da jornada para 40 horas semanais, sem corte salarial. A medida não consta no plano de governo de Lula, mas é uma das principais apostas do governo para 2027.

  • Flávio Bolsonaro (PL)

O plano econômico associado a Flávio Bolsonaro (PL) tem como eixo a responsabilidade fiscal, com defesa de um ajuste das contas públicas baseado em corte de despesas, revisão do papel do Estado e redução da carga tributária.

A proposta inclui um pacote de ajuste fiscal descrito como um “tesouraço”, com enxugamento da máquina pública, revisão de gastos obrigatórios e discricionários dos Três Poderes e reavaliação das regras fiscais atuais, com foco na geração de superávits primários.

O projeto também prevê mudanças no processo orçamentário, com maior controle sobre a avaliação de impacto das despesas públicas.

Na política econômica, o programa propõe limitar o crédito subsidiado com recursos do Tesouro Nacional e rever mecanismos de expansão do gasto público, além de promover maior disciplina na execução orçamentária.

“Vamos fazer o Brasil crescer, e esse é um compromisso central do nosso governo. O país cresceu, em média, 2% ao ano nas últimas duas décadas, menos do que o mundo. Nossa meta é dobrar esse ritmo e alcançar um crescimento sustentado de 4% ao ano ao longo da próxima década, apoiado no investimento privado, na segurança jurídica e na competitividade do agro, da indústria e dos serviços”, afirmou o plano.

Ao mesmo tempo, o documento reúne propostas que ampliam o papel do Estado em determinadas áreas, como criação de uma rede nacional de cuidado para idosos e pessoas com deficiência, expansão de creches, investimentos em saúde e segurança, e um pacote de infraestrutura.

O plano também prevê ampliação do crédito e do financiamento para diferentes setores da economia, embora não apresente uma estimativa consolidada que confronte o custo dessas medidas com a economia projetada pelo ajuste fiscal.

Na área tributária, a proposta defende a redução da carga de impostos sobre produção e consumo, a revisão da reforma tributária e a diminuição da alíquota do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

Apesar das mudanças propostas, o documento não apresenta uma estimativa consolidada de impacto fiscal das renúncias tributárias nem de compensação para eventuais perdas de arrecadação.


Tesouraço de R$ 200 bilhões

  • A campanha de Flávio sinalizou ao mercado financeiro um “tesouraço” na ordem de R$ 200 bilhões no primeiro ano de governo em caso de vitória;
  • O mercado, por sua vez, animado com a possibilidade, reagiu e o preço do dólar chegou a patamares abaixo de R$ 5 por um período;
  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa Brasileira também atingiu alta recorde, chegando acima de 209 mil pontos;
  • No entanto, membros no governo e especialistas em contas públicas afirmam que não é possível fazer um corte da magnitude prometida por Flávio sem atingir benefícios sociais;
  • Já o candidato afirma que o corte virá dos “privilégios de Lula” e que nenhum benefício social será impactado.

Novas propostas

Durante a campanha, os candidatos fizeram novas propostas, além do plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula, por exemplo, anunciou a intenção de implementar a tarifa zero no transporte público urbano aos fins de semana, a partir de 2027. A proposta prevê destinar aproximadamente R$ 11,2 bilhões das emendas parlamentares obrigatórias para financiar a gratuidade.

Para isso, o governo encaminhou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que ainda precisa ser aprovada pelos parlamentares.

O presidente também prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para estudantes universitários a partir do próximo ano. A iniciativa prevê o pagamento de R$ 700 mensais, durante dez meses, para alunos de universidades públicas e beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni). Segundo a campanha, os recursos viriam do Fundo Social do Petróleo, com custo estimado em R$ 4,6 bilhões.

Além disso, a equipe econômica também anunciou a a criação do Pix MEI, que prevê a transferência de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais investirem em seus negócios. A previsão do governo é destinar R$ 5 bilhões à iniciativa entre 2027 e 2030, com prioridade para mulheres empreendedoras.

Nessa sexta-feira (23/10), a campanha de Lula também anunciou a intenção de perdoar cerca de R$ 15 bilhões em dívidas de empresas dos setores de eventos, bares e restaurantes enquadradas no Simples Nacional.

Já Flávio prometeu criar o programa Vira Pix, que prevê a devolução de parte dos valores pagos pelos brasileiros em despesas como contas de luz, prestações e taxas. A proposta foi apresentada na reta final do segundo turno e seria implementada em parceria com a Caixa Econômica Federal.

O senador também apresentou uma proposta para que o governo compre dívidas de pessoas físicas e empresas diretamente das instituições financeiras, com descontos sobre os valores originais. Segundo ele, a medida permitiria reduzir parcelas mediante a renegociação dos débitos.

Outra promessa apresentada pelo candidato foi a retomada do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19. O programa concedia benefícios fiscais a empresas de setores como turismo, cultura e entretenimento, mas foi encerrado em 2025.

A campanha, no entanto, não detalhou os dados sobre o impacto fiscal das medidas anunciadas por Flávio.