PL repetirá com Bolsonaro mesmo “erro” do PT com Lula, avalia governo
Ministros do governo apontam que adversários tendem a radicalizar e se isolar diante da prisão do ex-presidente, o que pode ajudar petistas
atualizado
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Ministros governistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que o PL cometerá, diante da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, o mesmo “erro” que o PT cometeu após a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os auxiliares do mandatário, o principal partido de oposição deve se radicalizar e, consequentemente, se isolar, o que pode levar a principal sigla de direita a derrotas eleitorais nas próximas eleições.
Esses ministros consideram que, quando Lula foi preso em abril de 2018, o PT se radicalizou para marcar posição. Fez uma chapa “pão com pão” na disputa pela presidência naquele ano, com o PCdoB na vice, e amargou uma derrota. Em 2020, seguiu a mesma toada e lançou candidatos próprios em diversas capitais, tendo baixo rendimento e o pior resultado da sua história na eleição em São Paulo (SP), maior cidade do país.
Segundo auxiliares de Lula, o PL segue o mesmo caminho. Eles citam o recrudescimento da pressão para que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautem projetos de interesse do grupo, como a anistia ao 8 de Janeiro e o impeachment do ministro da Corte Alexandre de Moraes. Bolsonaristas chegaram a invadir os plenários do Congresso, reivindicando suas pautas.
A confusão irritou a cúpula do Congresso e pode isolar os bolsonaristas também no Legislativo. Após a ocupação dos plenários, Motta e Alcolumbre cancelaram as agendas das Casas e convocaram reuniões para esta quarta-feira (5/8). A confusão, aliada à associação do PL com o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil, pode tornar o partido de Bolsonaro “tóxico” na próxima eleição, acreditam ministros.
Pressão do PL sobre a direita
Além disso, auxiliares de Lula citam a pressão imposta para os pré-candidatos de direita, que se apresentam como alternativas a Bolsonaro fora do PL, aderirem ao movimento contra Moraes. A maioria deles busca se mostrar como mais moderados que o ex-presidente, mas precisam do seu aval para conseguirem o voto dos bolsonaristas.
Na segunda-feira (4/8), dia em que Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi criticado. Nos bastidores, nomes próximos ao ex-presidente reclamaram que o aliado não citou o ministro ao defender o ex-chefe. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, reclamou publicamente.
Diante da insatisfação com a posição dos postulantes a herdeiros do espólio de Bolsonaro, o PL deve reforçar num primeiro momento candidaturas próprias ao Planalto. Preferencialmente, de parentes do ex-presidente. Figuram neste rol o deputado Eduardo (SP), o senador Flávio (RJ) e a ex-primeira-dama Michelle, até então pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
A aposta do governo é que o cenário de radicalização do PL pode favorecer Lula na disputa de 2026. Ao mesmo tempo em que a promessa de anistia a Bolsonaro se tornou pré-requisito para apoio do ex-presidente a qualquer candidato, esse mesmo compromisso pode inviabilizar uma candidatura. Foi isso o que indicou pesquisa Datafolha divulgada no último sábado (2/8).
Bolsonaro preso em casa
O ex-presidente já estava inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deixando uma avenida aberta para que a direita procurasse outro candidato na eleição de 2026. A expectativa, nos bastidores do PT ao PL, era que o ex-presidente fosse preso no fim do ano, após a conclusão no STF do julgamento da suposta trama golpista. Tudo mudou com o tarifaço de Trump.
Com Eduardo Bolsonaro nos EUA articulando sanções ao Brasil por causa do inquérito, e o PL condicionando a suspensão do embargo comercial à anistia, Moraes determinou medidas cautelares contra o ex-presidente. O ministro alegou que foi preciso coibir a ação do ex-mandatário e uma eventual fuga.
Bolsonaro estava proibido de deixar o país, com uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar no período noturno (das 19h às 6h) e nos fins de semana, e de se aproximar de embaixadas e consulados, de manter contatos com embaixadores ou autoridades estrangeiras, e com demais réus e investigados. Crucialmente, o ex-presidente estava proibido de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.
Ao decidir pela prisão domiciliar, Moraes considerou que houve o descumprimento de medidas cautelares que haviam sido estipuladas anteriormente. O estopim para a domiciliar foi a participação de Bolsonaro, via telefone, em uma manifestação bolsonarista realizada no último domingo (3/8) no Rio de Janeiro. Participação essa que foi republicada pelos filhos Carlos e Flávio Bolsonaro nas redes sociais.













