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Brasil

Pico Paraná: promotor pede que "amiga" indenize jovem abandonado

MP diz que conduta da amiga vai além de questão moral e indica que há elementos dela responder criminalmente por omissão de socorro

Repórter de Brasil15/01/2026 16:32, atualizado 16/01/2026 06:21
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Reprodução
Thayane Smith e Roberto Farias, montagem

O promotor Elder Teodorovicz, do Ministério Público do Paraná, responsável por concluir o parecer que indica omissão de socorro por parte da amiga que acompanhava o jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, afirmou que o caso não se limita a uma questão moral, mas penal.

No parecer, o MP pede que Thayane Smith seja enquadrada no crime de omissão de socorro, além de pagar o valor de três salários mínimos — correspondente a R$ 4.863,00 — a Roberto. A pena máxima prevista é de seis meses de detenção.

O pedido encaminhado ao Tribunal de Justiça do Paraná propõe ainda o pagamento, pela jovem, de prestação pecuniária no valor de R$ 8.105,00, a ser destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pelas buscas por Roberto no pico.

O parecer do MP diverge do que a Polícia Civil concluiu no inquérito policial, que sugeriu o arquivamento das investigações. Teodorovicz afirmou haver elementos suficientes que caracterizam dolo na conduta de Thayane Smith.

“Após a análise técnica e criteriosa dos autos, concluiu que a conduta investigada não se limita a uma questão moral ou comportamental, mas apresenta uma elevada relevância jurídica e penal”, disse o promotor.

Teodorovicz prosseguiu: “As provas colhidas indicam que a vítima foi deixada para trás em uma trilha de alta complexidade, já em estado de debilidade física e sem o devido acompanhamento e também sem as medidas e providências necessárias para o seu socorro. O ordenamento jurídico brasileiro impõe o dever de solidariedade em situações de grave e iminente perigo, especialmente quando é possível prestar esse auxílio sem risco pessoal. Esse dever, em especial, no caso concreto, foi descumprido”.

O entendimento é que, após os depoimentos de testemunhas e da vítima, o MP apontou que Thayane atuou no caso sem a intenção de ajudar nas buscas por Roberto, que ficou cinco dias desaparecido, agindo apenas por “interesse em seu próprio bem-estar físico”, mesmo tendo sido alertada por outros montanhistas sobre os riscos da situação.

O MP cita que “a conduta da investigada reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima (que já havia vomitado e caminhava com dificuldade), das condições perigosas do local (eis que se tratava de trajeto difícil, com montanhas altas, com chuva, frio e neblina) e, ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte”.

Além desses pedidos, o parecer do MP sugere que Thayane cumpra prestação de serviços à comunidade pelo período de três meses, com carga de cinco horas semanais, junto aos bombeiros. A medida ocorre porque, além dos bombeiros, o trabalho para tentar encontrar Roberto mobilizou outras forças, bem como agentes civis e voluntários.

Metrópoles tenta contato com Thayane. O espaço permanece aberto para manifestações.

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6 imagens
O momento em que Roberto chega à fazenda foi gravado pelas câmeras de segurança
O jovem foi levado ao hospital da região
Ele foi resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros
No hospital, o jovem tirou fotos ao lado dos médicos
Roberto teve alta nessa terça (6)
A amiga de Roberto o deixou para trás e pediu desculpas em entrevista
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A amiga de Roberto o deixou para trás e pediu desculpas em entrevista

Reprodução
O momento em que Roberto chega à fazenda foi gravado pelas câmeras de segurança
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O momento em que Roberto chega à fazenda foi gravado pelas câmeras de segurança

Central de energia/Reprodução
O jovem foi levado ao hospital da região
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O jovem foi levado ao hospital da região

Reprodução/Instagram
Ele foi resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros
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Ele foi resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros

Material cedido ao Metrópoles
No hospital, o jovem tirou fotos ao lado dos médicos
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No hospital, o jovem tirou fotos ao lado dos médicos

Sesa-PR
Roberto teve alta nessa terça (6)
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Roberto teve alta nessa terça (6)

Reprodução/X

Desaparecimento

Roberto desapareceu na manhã de 1º de janeiro de 2026, durante a descida da trilha, após ter sido deixado para trás pela amiga Thayane, que o acompanhava no passeio. Segundo a jovem, os dois subiram o Pico Paraná para assistir ao nascer do sol do primeiro dia do ano.

Segundo as autoridades do Paraná, durante o trajeto, o rapaz passou mal, apresentou vômitos e sinais de debilidade física, mas, ainda assim, conseguiu alcançar o grupo por volta das 4h. Porém, a amiga acelerou o ritmo, deixando Roberto para trás. Após isso, ele não foi mais visto.

Perdido, o jovem bebeu água de cachoeira e caminhou mais de 20 km até chegar a uma fazenda na região de Cacatu, no município de Antonina, no Paraná. No local, o trilheiro conseguiu ajuda e foi socorrido em seguida pela equipe de resgate, sendo levado ao hospital.

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