PGR pede à Abin dados sobre Covid que teriam sido escondidos por Bolsonaro
O pedido da PGR é para que a Abin compartilhe relatórios elaborados durante a pandemia de Covid-19, que davam orientações ao governo
atualizado
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que compartilhe relatórios elaborados durante a pandemia de Covid-19, no governo de Jair Bolsonaro (PL). A PGR quer apurar denúncia do Jornal Folha de S.Paulo de que, durante a pandemia da Covid-19, as projeções de mortes e os casos foram escondidos pela gestão de Bolsonaro, mesmo com mais de mil relatórios elaborados sobre a situação.
A Folha informou e o Metrópoles confirmou com a PGR que o objetivo do pedido é “avaliar os relatórios para verificar se há eventual fato novo”.
Postos sob sigilo, os relatórios em questão foram produzidos por pelo menos um ano, de março de 2020 a julho de 2021, quando foram constatados o maior número de morte no país.
O material tem carimbo oficial da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e reforça que Bolsonaro ignorou as informações levantadas pelos próprios agentes do governo, além das recomendações do Ministério da Saúde (MS).
“Estudos recentes realizados em pacientes com Covid-19 que usaram esses medicamentos identificaram graves distúrbios do ritmo cardíaco, em alguns casos fatais, particularmente se utilizados em dosagens altas ou em associação com o antibiótico azitromicina”, afirma relatório de 23 de abril de 2020.
Os documentos recomendavam ainda o distanciamento social e a vacinação como formas efetivas de controlar a doença, trazem estudos que desaconselham o uso da cloroquina, alertam sobre possibilidade de colapso da rede de saúde e funerária no Brasil e reconhecem a falta de transparência do governo Bolsonaro na divulgação dos dados da pandemia da Covid-19.
Veja os superiores da Abin e GSI à época:
- à frente da GSI, o general Augusto Heleno;
- à frente da Abin, o atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ);
- à frente do MS, foram quatro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga.
As estimativas feitas pela Abin nos documentos se aproximaram dos dados registrados no país nos períodos em questão, mas houve casos em que a pandemia superou a expectativa dos estudos: em abril de 2021, o pior cenário analisado esperava mais de 338 mil mortos, mas o número foi superior a 341 mil.
