PF aponta que verba federal pode ter abastecido sites bolsonaristas
O avanço das investigações, segundo a PF, permitiria avaliar se há conexão de autoridades com a atuação desses sites
atualizado
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Inquérito da Polícia Federal sobre atos antidemocráticos apontam que verbas do governo federal podem ter abastecido sites bolsonaristas responsáveis por desinformação, propagação de discurso de ódio e mensagens contra a democracia. O sigilo desses novos documentos foi retirado, nesta quarta-feira (9/6), pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
De acordo com informações do G1, a PF informou que é preciso aprofundar as investigações sobre o direcionamento de recursos da Secretaria de Comunicação Social do governo federal para financiar essas páginas. A corporação ainda frisou que o avanço das investigações permitiria descobrir se há conexão de autoridades com a atuação desses sites para atuar contra a democracia.
Entenda
O blogueiro Allan dos Santos, um dos alvos do inquérito, e o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, foram apontados pela PF como possíveis suspeitos de direcionamento de recursos públicos e a monetização das páginas bolsonaristas para a divulgação de ideias antidemocráticas.
Até a publicação da reportagem, Allan dos Santos não havia se pronunciado. Pelo Twitter, Wajngarten afirmou, na noite desta quarta-feira (9/6), que “não houve verba direcionada para nenhum site ou blog”. No post, ele ressaltou que a gestão dele “foi baseada em mídia técnica. Eventual publicidade recebida por sites foram feitas pela plataforma do Google”.
Veja:
Bonner não lê a nota na íntegra. Segue a íntegra: “O ex-secretário Fábio Wajngarten informa que não houve verba direcionada para nenhum site ou blog. Sua gestão foi baseada em mídia técnica. Eventual publicidade recebida por sites foram feitas pela plataforma do Google
— Fabio Wajngarten (@fabiowoficial) June 10, 2021
que através de algoritmos remunera páginas mais acessadas sem qualquer direcionamento.” (Não há fatos novos. Há falta de ética jornalística numa tentativa de requentar fatos que já foram detalhados exaustivamente. Há uma tentativa desesperada de atacar quem prega a boa mídia.)
— Fabio Wajngarten (@fabiowoficial) June 10, 2021
Entenda
A Polícia Federal propôs ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma nova investigação para aprofundar as suspeitas de que recursos do governo federal abasteceram grupos envolvidos na realização de ataques à Corte e ao Congresso Nacional.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, apontou discordâncias com essa hipótese criminal e solicitou o arquivamento da parte da investigação envolvendo políticos com foro privilegiado, sob o argumento de que a PF desviou o foco do objeto inicial do inquérito e ainda não havia encontrado provas de crimes.
Antes de decidir o arquivamento do inquérito que apura a participação de parlamentares bolsonaristas no financiamento e na organização de atos antidemocráticos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu, nesta segunda-feira (7/6), explicações à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a solicitação.
Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito, solicitou que a PGR explique “quais medidas restritivas de direito pretende que sejam levantadas, uma vez que o órgão ministerial sugere a
manutenção de diversas investigações nas Justiças Federal e Estadual”.
Também foi solicitado, diante de dados sigilosos, qual documentação deve seguir para a Justiça Estadual e para a Justiça Federal, caso se decida pela continuidade de investigações.
“No caso dos autos, embora a necessidade de cumprimento das numerosas diligências determinadas exigisse, a princípio, a imposição de sigilo à totalidade dos autos, é certo que, diante do relatório parcial apresentado pela autoridade policial – e com vista à Procuradoria-Geral da República, desde 4/01/2021 – não há necessidade de manutenção da total restrição de publicidade”, escreveu o ministro.
