PF aponta que verba federal pode ter abastecido sites bolsonaristas

O avanço das investigações, segundo a PF, permitiria avaliar se há conexão de autoridades com a atuação desses sites

atualizado

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1 de 1 Policia Federal - PF - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Inquérito da Polícia Federal sobre atos antidemocráticos apontam que verbas do governo federal podem ter abastecido sites bolsonaristas responsáveis por desinformação, propagação de discurso de ódio e mensagens contra a democracia. O sigilo desses novos documentos foi retirado, nesta quarta-feira (9/6), pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

De acordo com informações do G1, a PF informou que é preciso aprofundar as investigações sobre o direcionamento de recursos da Secretaria de Comunicação Social do governo federal para financiar essas páginas. A corporação ainda frisou que o avanço das investigações permitiria descobrir se há conexão de autoridades com a atuação desses sites para atuar contra a democracia.

Entenda

O blogueiro Allan dos Santos, um dos alvos do inquérito, e o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, foram apontados pela PF como possíveis suspeitos de direcionamento de recursos públicos e a monetização das páginas bolsonaristas para a divulgação de ideias antidemocráticas.

Até a publicação da reportagem, Allan dos Santos não havia se pronunciado. Pelo Twitter, Wajngarten afirmou, na noite desta quarta-feira (9/6), que “não houve verba direcionada para nenhum site ou blog”. No post, ele ressaltou que a gestão dele “foi baseada em mídia técnica. Eventual publicidade recebida por sites foram feitas pela plataforma do Google”.

Veja:

Entenda

A Polícia Federal propôs ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma nova investigação para aprofundar as suspeitas de que recursos do governo federal abasteceram grupos envolvidos na realização de ataques à Corte e ao Congresso Nacional.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, apontou discordâncias com essa hipótese criminal e solicitou o arquivamento da parte da investigação envolvendo políticos com foro privilegiado, sob o argumento de que a PF desviou o foco do objeto inicial do inquérito e ainda não havia encontrado provas de crimes.

Antes de decidir o arquivamento do inquérito que apura a participação de parlamentares bolsonaristas no financiamento e na organização de atos antidemocráticos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu, nesta segunda-feira (7/6), explicações à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a solicitação.

Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito, solicitou que a PGR explique “quais medidas restritivas de direito pretende que sejam levantadas, uma vez que o órgão ministerial sugere a
manutenção de diversas investigações nas Justiças Federal e Estadual”.

Também foi solicitado, diante de dados sigilosos, qual documentação deve seguir para a Justiça Estadual e para a Justiça Federal, caso se decida pela continuidade de investigações.

“No caso dos autos, embora a necessidade de cumprimento das numerosas diligências determinadas exigisse, a princípio, a imposição de sigilo à totalidade dos autos, é certo que, diante do relatório parcial apresentado pela autoridade policial – e com vista à Procuradoria-Geral da República, desde 4/01/2021 – não há necessidade de manutenção da total restrição de publicidade”, escreveu o ministro.

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