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Pessoas que perderam prazo da vacina contra a Covid penam à espera de repescagem

Enquanto cidades anunciam a imunização para adolescentes, quem perdeu o dia certo da vacinação sofre para conseguir a sua dose de vacina

Repórter de Brasil28/08/2021 04:45, atualizado 28/08/2021 08:32
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Gustavo Alcântara/Metrópoles
Enfermeira vacinando menina

Enquanto algumas cidades anunciam o avanço das faixas etárias na campanha de imunização contra a Covid-19 e já vacinam crianças e adolescentes, outros municípios do país estão com cidadãos perdidos e confusos com relação à data de quando, finalmente, poderão receber a proteção contra a doença. Em determinadas localidades, pessoas que perderam o tão esperado dia terão de aguardar a “repescagem”, e não poderão receber nenhuma dose de imunizante até chegar a data.

Em postagens feitas por prefeituras espalhadas por todo o país, com o anúncio de novas faixas etárias contempladas pela campanha, não é incomum encontrar pessoas desorientadas com relação a quando vão conseguir, enfim, se proteger contra a Covid-19. É o caso de Curitiba (PR), onde moradores questionam em publicações quando poderão receber o imunizante, já que perderam a data certa que contemplava a idade.

Moradores questionam prefeituras sobre quando poderão se vacinar, depois de terem perdido a data certa de vacinação
Moradores questionam prefeituras sobre quando poderão se vacinar, após terem perdido a data certa de vacinação

Henrique Bucken, 41 anos, é morador da capital e teve de esperar três semanas até finalmente poder tomar a primeira dose. Ele foi diagnosticado com Covid-19 e apresentou sintomas leves, mas, segundo a recomendação da prefeitura, apenas poderia tomar o imunizante após 30 dias do fim da doença. Quando melhorou, ficou sem data marcada para poder enfim se vacinar.

“Quando estava 100% (após a Covid-19), não havia data para repescagem. Foi então que fiz o tuíte em forma de protesto, pois perdi a data por estar doente, não porque quis”, explicou Bucken. Segundo o curitibano, ele teve “sorte” e acabou conseguindo se imunizar duas semanas depois do dia marcado.

Curitibano pede ajuda em rede social por perder data de vacinação para a sua idade
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Dados da imunização na cidade mostram que, até o último dia 17/8, 24,9% da população com idade entre 40 e 44 anos ainda não tinha tomado a primeira dose de vacina contra a Covid em Curitiba. Dos 152.862 curitibanos na faixa etária, 37.996 não compareceram para receber a proteção na capital paranaense.

Em todo o país, 118.860.218 pessoas já receberam a primeira dose de um dos imunizantes disponíveis. A população adulta, segundo dados mais recentes do IBGE, é de 160.911.639 brasileiros; ou seja, 26% da população adulta ainda não tomou nenhuma vacina. Entre aqueles com mais de 60 anos, público mais abrangente na campanha de imunização, o indicador é de 4,8% sem nenhuma dose.

Em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, Flávio Luna, 39, também teve problemas para se vacinar após perder a data marcada para sua idade na cidade. No caso de Luna, a falta de doses foi a vilã da prorrogação da sua primeira dose.

“No dia definido pela prefeitura para a minha idade, a vacina que tinha disponível era a Janssen. A procura foi enorme, e quando cheguei ao posto de vacinação perto da minha casa já não tinha mais senha. Fui em mais 4 pontos de vacinação, e em nenhum consegui me imunizar”, conta Flávio. Ele conseguiu tomar o imunizante três dias depois da data prevista, mas acabou tendo que faltar duas vezes ao emprego para isso. “O que me deixou chateado foi a falta de planejamento da prefeitura”, desabafou.

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A repescagem para quem tem mais de 25 anos na cidade está marcada para esta quinta-feira (19/8), mas o município já avançou para a primeira dose para os que possuem 18.

“Neste momento, o que o Brasil tem de fazer é tentar vacinar o maior número de pessoas possível. A faixa etária é uma forma fácil de organizar a imunização, mas precisamos facilitar o máximo possível a ida aos postos para a idade que já foi anunciada. É preciso evitar burocracias”, chama a atenção o médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Julival Ribeiro.

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