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Brasil

Peão brasileiro morre após ser pisoteado por touro nos Estados Unidos

Amadeu Campos Silva, de 22 anos, disputava a segunda divisão da PBR mundial, na cidade de Fresno, Califórnia

30/08/2021 17:24, atualizado 30/08/2021 18:08
Reprodução
Peão brasileiro morre após ser pisoteado por touro nos Estados Unidos

Amadeu Campos Silva, peão brasileiro de 22 anos, morreu pisoteado por um touro enquanto disputava a categoria Velocity Tour, segunda divisão da Professional Bull Riders (PBR), nesse domingo (29/8), na arena de Fresno, na Califórnia (Estados Unidos).

Amadeu é o primeiro brasileiro a morrer nas disputas da PBR norte-americana, competição que é dominada pelos peões do Brasil há anos.

O peão João Ricardo Vieira, atualmente o quinto no ranking mundial, homenageou o amigo no Facebook. Na postagem, ele escreveu: “Respeitem os peões. Quando saímos de casa, não sabemos se iremos voltar. Quando acenamos a cabeça nos brites, não sabemos se iremos fazer isso outra vez”.

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João Ricardo afirmou, em entrevista ao Globo Rural, que esteve com os pais da vítima, que também estão nos EUA, na noite de domingo e prestou sua solidariedade.

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“Eles estão desesperados. Amadeu era o caçula e sempre ajudou a família. Os pais vieram para cá para viver com ele esse sonho de buscar uma vida melhor. O menino tinha o sonho de ajudar a família e comprar um sítio no Brasil”, contou Vieira.

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João Ricardo afirmou que Amadeu tinha seguro de vida, assim como todos os peões da competição. A PBR está dando suporte aos pais da vítima e pagará as despesas tanto se eles decidirem enterrar o corpo do filho nos EUA ou no Brasil.

Tragédia

Vieira relatou que todos estão “muito abalados. A gente sabe dos riscos, mas nunca estamos preparados para uma tragédia como essa”.

O primeiro e único salva-vidas de rodeio brasileiro a atuar na PBR nos Estados Unidos, Lucas Belli Teodoro, de 33 anos, também conhecido como Gauchinho, afirmou que a morte de Amadeu é uma tragédia.

Apesar de não estar na arena no momento do acidente, Gauchinho disse que “todos estão muito sentidos porque ele era um menino querido por todos”.

Flavio Campos Silva, o Jaru, pai de Amadeu, pediu respeito e não deu declarações sobre o falecimento do filho.

Amadeu Campos Silva morava em Decatur, cidade do Texas, e estava nos EUA desde o ano passado. Nascido em Altair, São Paulo, ele havia voltado às competições na etapa anterior no dia 14 de agosto, em Springfield, depois de operar os dois ombros, o que o tirou dos rodeios por oito meses.

Amadeu terminou a etapa em terceiro lugar e somava 104 pontos na classificação, com US$ 42 mil em premiações.

Caubói com potencial

O CEO da PBR, Sean Gleason, publicou uma nota de pesar nas redes sociais e descreveu Amadeu como uma estrela em ascensão no esporte, “um caubói com muito potencial dentro e fora da arena”.

A PBR não divulgou outras informações sobre a morte do peão, que foi atirado pelo touro ao chão e pisoteado em seguida. Ele foi socorrido no local e chegou a ser levado ao Community Regional Medical Center, em Fresno, mas não resistiu.

Amadeu montava usando um colete kevlar de proteção, usado por todos os competidores desde 1989, que dispersa o impacto do peso do animal em situações de pisoteio, e usava um capacete, obrigatório para peões que nasceram depois do dia 15 de outubro de 1994.

A última morte que aconteceu na PBR dos Estados Unidos aconteceu em 15 de janeiro de 2019, no rodeio de Denver. O norte-americano Mason Lowe foi a terceira vítima fatal de um evento oficial da PBR, desde sua fundação, em 1992.

Já no Brasil, a última morte de um peão na PBR foi a de Giliard Antonio, em 13 de maio de 2018, em um rodeio disputado em Maringá, no Paraná. Ele também foi pisoteado por um touro, depois de cair. O trauma rompeu um músculo do coração da vítima.