Pai de universitária de GO que fingiu ser pobre trabalhou com prefeito
O pai da estudante, Tiago Viegas de Arruda, é sócio de empresa e trabalhou em cargo de confiança na Prefeitura de Anápolis
atualizado
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O pai da estudante Gabriella Andrade Viegas de Arruda, acusada de tentar burlar o sistema público para manter bolsa integral do Programa GraduAção no curso de Medicina, tinha um cargo de confiança no Instituto de Seguridade Social dos Servidores Municipais de Anápolis (ISSA) na gestão do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos).
O caso veio à tona quando Gabriel Lisboa, juiz da Vara da Fazenda Pública Municipal de Anápolis, município a cerca de 55 km da capital goiana, acionou o Ministério Público de Goiás (MPGO) após a estudante do curso de medicina afirmar que precisava de auxílio total para pagar seu curso, mas, na realidade, ela e a família não têm o padrão de vida alegado no processo, que informa renda de apenas três salários mínimos.
Por meio de informações públicas nas redes sociais, especialmente pelo TikTok, o juiz verificou que a jovem ostenta viagens internacionais, um modo de vida fitness, é adepta das corridas, fatos que, segundo ele, não condizem com a pobreza declarada pela aluna.
O Metrópoles teve acesso ao processo que relata a possível enganação da jovem.
Após as descobertas, o magistrado determinou envio do processo da estudante ao Ministério Público de Goiás (MPGO), deixando margem ao órgão para, caso queira, investigar a conduta dos citados e usar as informações trazidas na decisão para confrontá-las com a Receita Federal.
Renda familiar
O juiz descobriu que a mãe da estudante tem uma empresa registrada no mesmo endereço em que a filha mora. Essa coincidência não só sugere renda extra não declarada, mas também levanta dúvidas sobre a história de que a jovem morava só com os avós pobres.
O avô materno, Marcos Valin de Andrade, com quem a estudante dizia morar em situação de pobreza, é sócio-administrador da empresa MVA Prestadora de Serviços Ltda, com capital social de R$ 100 mil. A sede dessa empresa fica no mesmo endereço da estudante e da empresa de sua mãe.
Bolsa estudantil
Gabriella é estudante do curso de medicina desde 2020. Ela é beneficiária do Programa GraduAção, da Prefeitura de Anápolis, que tem caráter educacional e social, cujo objetivo é conceder bolsas de estudos a alunos universitários cuja renda familiar bruta seja de até 6 (seis) salários mínimos nacionais.
Já no penúltimo semestre do curso, a jovem teve a bolsa suspensa e entrou na Justiça contra a instituição e contra o município de Anápolis, pela manutenção do benefício, que foi concedido em caráter liminar. Porém, a tutela foi suspensa pelo magistrado, que alegou inconsistências nos argumentos da estudante.
A primeira descoberta foi que a própria advogada que assinou o processo, Priscilla Silva de Andrade, é a mãe da estudante. Ainda conforme o juiz, a mulher, além de advogada, é servidora pública estadual com vencimentos de R$ 8.496,10 mensais – valor que sozinho já é quase três vezes maior do que os três salários mínimos alegados como renda total da família.
Indício de irregularidades
Em nota enviada ao Metrópoles, a Prefeitura de Anápolis informou que foi montada uma comissão para avaliar os critérios do Programa GraduAção.
“Em relação ao Programa Graduação, a Prefeitura de Anápolis informa que uma comissão especial foi instituída após indícios de irregularidade na concessão de bolsas universitárias. Como o município não dispunha de uma base de dados para atestar que os beneficiados atendem aos critérios, só após a conclusão dos trabalhos da comissão será possível definir o encaminhamento do programa”, diz a nota
