Outra jovem relata abuso de médico já indiciado por crime sexual em GO

A jovem de 21 conta que o ortopedista usou exames físicos como pretexto para os abusos; defesa do médico nega as acusações

atualizado 23/06/2021 18:53

goias medico iporaDivulgação/PCGO

Goiânia – Uma jovem de 21 anos registrou nova denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no município de Iporá (GO), contra o médico ortopedista Otacílio Rodrigues de Barros Neto, de 36 anos, indiciado por violação sexual mediante fraude. Segundo a vítima, o profissional usou um exame físico como pretexto para cometer os abusos.

“Procurei ele porque estava sentindo dores no braço. Durante a consulta, ele disse que precisava tocar no local da dor. Só que ele começou a pegar nos meus seios. E eu falava o tempo todo que a dor era no braço, não no seio”, contou a vítima à TV Anhanguera/Globo.

A jovem procurou a delegacia nessa terça-feira (22/6), depois que o suspeito foi indiciado por crime sexual cometido contra outra paciente, uma mulher de 46 anos.

Por meio das redes sociais, a defesa do médico negou as acusações. De acordo com a publicação do advogado de Otacílio, Fernando Costa Martins, o processo tramita em segredo de justiça e, por isso, não irá comentar o caso, que, segundo ele, ainda devem ser apurados.

Crime sexual

A mulher de 46 anos, paciente do médico, precisou gritar por socorro quando percebeu que ele estava esfregando o pênis ereto nela, dento do consultório, no hospital onde ele trabalha, na cidade de Iporá. O caso ocorreu no último dia 31 de maio.

Segundo o relato da vítima feito ao delegado Igor Moreira, que atua na Deam, ela foi socorrida por enfermeiras e outros médicos do local que adentraram o consultório, assim que ouviram os gritos. Ela estava, visivelmente, abalada, de acordo com as testemunhas.

Durante a consulta, ele informou que faria um exame físico e pediu que a paciente se virasse para procurar nódulos localizados nas costas dela. Em determinado momento, ele solicitou que ela colocasse uma das mãos para trás. Nesse instante, ela diz que sentiu algo estranho, mas o telefone do consultório tocou, interrompendo o que estava acontecendo.

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O ortopedista atendeu o telefone, disse que ainda não havia terminado a consulta, trancou a porta do local e voltou-se para a paciente, pedindo que ela colocasse a segunda mão para trás. Segundo o delegado, o médico investigado é mais alto que a vítima. O relato dela informa que, ao colocar as duas mãos para trás, ela começou a sentir ele esfregando o pênis em suas costas.

“Ela se virou e viu que o médico estava com o pênis para fora da calça. Ficou muito angustiada, nervosa e começou a gritar por socorro”, conta Igor Moreira.

O Hospital e Maternidade São Paulo, onde teria acontecido o abuso afirmou que repudia o assédio e a violência de qualquer natureza contra a mulher. “Acreditamos, também, na importância da apuração cautelosa, responsável e imparcial dos fatos”.

Suspeita de outros casos

O inquérito foi concluído com o indiciamento do ortopedista relacionado a esse caso específico, mas no decorrer da investigação outras suspeitas surgiram. Uma enfermeira ouvida pelo delegado disse que há três anos, também, foi assediada pelo mesmo médico.

Ela disse ter sido chamada pelo ortopedista em seu consultório e, quando abriu a porta, o encontrou com o pênis para fora da calça e chamando-a para fazer atos sexuais. A enfermeira disse que não participaria daquilo e fechou a porta. Nas semanas seguintes, o médico seguiu ligando, insistentemente, para ela.

“Percebemos que esse caso de 31 de maio não foi um caso isolado. Iremos buscar, ainda, outras vítimas e testemunhas de crimes sexuais cometidos pelo mesmo médico, e a Polícia Civil já representou pela suspensão do exercício da medicina desse médico, de forma temporária, o que está aguardando decisão judicial”, informa o delegado.

Uma cópia integral do inquérito foi remetida ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) para que seja instaurado o processo disciplinar por infração ético-profissional.

A Polícia Civil decidiu divulgar a imagem e a identidade do médico com o objetivo de que possíveis novas vítimas pudessem reconhecê-lo e formalizar denúncia.

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