Órgãos de mulher morta após usar tinta de cabelo não podem ser doados

Em Goiás, secreção purulenta e trombose impediram médicos de captarem rins, coração, pulmão e fígado

atualizado 15/02/2021 9:57

Karine tinta de cabeloReprodução: Facebook

Complicações no organismo de uma mulher de 34 anos que morreu em Goiás após reação alérgica grave a tinta de cabelo impediram médicos de realizarem captação de órgãos dela para doação, na madrugada desta segunda-feira (15/2).

Ela estava internada em estado gravíssimo na unidade de terapia intensiva (UTI) da Santa Casa de Catalão, a 260 quilômetros de Goiânia.

A assessoria de imprensa do hospital confirmou que os órgãos da auxiliar administrativa Karine de Oliveira Souza, de 34 anos, não foram captados. Os médicos fariam a retirada de coração, pulmão, rins e fígado da mulher, que teve morte encefálica confirmada, pela Santa Casa, às 17h20 sábado (13/2), três dias após ser internada no hospital.

Fontes da Central Estadual de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Goiás (CNCDO-GO) informaram ao Metrópoles que médicos encontraram muita secreção purulenta na região da cavidade abdominal e trombose no intestino, logo após iniciarem a cirurgia.

Complicações não identificadas

As complicações no organismo de Karine, segundo as fontes, não foram identificadas em exames realizados antes do procedimento de captação de órgãos, que teve início às 2h30 e foi finalizado às 3h desta segunda, na Santa Casa.

O Metrópoles divulgou, na noite desse domingo (14/2), em primeira mão, que a previsão era de que os rins de Karine fossem transplantados em dois pacientes de Goiânia. Outras duas pessoas de São Paulo receberiam pulmão e coração, cada uma, e o fígado seria destinado a um paciente de Minas Gerais.

O hospital não informou a marca da tinta de cabelo, mas o portal apurou que é um produto importado. Médicos já haviam proibido a mulher de usar tinta no cabelo, já que antes ela foi diagnosticada com alergia grave a qualquer produto capilar.

O corpo da auxiliar administrativa está no Instituto Médico Legal (IML) de Catalão. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

Desespero no salão

Na quarta-feira (10/2), Karine teve choque anafilático, parada cardiorrespiratória e infarto. Três dias depois, o hospital concluiu os protocolos de confirmação de morte encefálica e entrevistou a família para obter autorização da doação de órgãos.

Ela passou mal logo após ter aplicado a tinta que ela própria levou para um salão de beleza em Catalão. A mulher começou a sentir muita falta de ar e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com a corporação, a ocorrência foi registrada às 18h40. Karine foi levada para o hospital após ter parada cardiorrespiratória e estava inconsciente, com a pele já azulada por causa da reação, sem respirar e sem pulso.

A equipe dos Bombeiros chegou a usar na vítima desfibrilador externo para que ela voltasse a ter batimentos cardíacos normais, mas não houve êxito.

Em seguida, Karine foi imobilizada e, durante o trajeto até o hospital, recebeu massagem torácica externa com ventilação manual.

Na Santa Casa, médicos prosseguiram com os procedimentos de reanimação, mas, diante da gravidade, ela teve de ser internada com urgência na UTI, em estado gravíssimo.

Primeira tintura no salão

Pessoas próximas de Karine disseram à reportagem que ela frequentava o salão de beleza, mas, segundo relataram, nunca havia pintado o cabelo no local, onde só fazia manicure, pedicure e depilação.

A cabeleireira contou a moradores da cidade que, durante o atendimento, a auxiliar administrativa relatou ter começado a sentir formigamento nas mãos e pediu para o produto ser retirado rapidamente.

Logo em seguida, Karine começou a ter muita falta de ar, e os bombeiros foram acionados. No entanto, ela não resistiu a complicações das graves reações alérgicas e morreu.

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