Órgão do governo mantém medidas contra crise energética
Apesar de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que situação já passou, por causa de chuvas esta semana, câmara técnica pede atenção
atualizado
Compartilhar notícia

Mesmo com as chuvas que chegaram em parte do Brasil nesta semana, a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), ligada ao Ministério das Minas e Energia, afirmou que medidas contra a crise energética vão continuar entre novembro deste ano e fevereiro de 2022. A decisão foi tomada em reunião na sexta-feira (15/10).
O órgão, que também reúne representantes dos ministérios da Economia, da Infraestrutura, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional, reconheceu o aumento de chuvas no país. Mas chegou à conclusão, entretanto, de que ainda não é hora de baixar a guarda.
“Apesar do aumento das chuvas, a situação ainda requer atenção, fato também impactado pelas atuais condições do solo, bastante seco, e, portanto, maiores dificuldades de transformação das chuvas em vazões, ou seja, em volumes significativos de água que chegam aos reservatórios do país”, apontou relatório após a reunião.
Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que mandaria o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, retomar a bandeira normal de energia. Atualmente, o Brasil se encontra em bandeira de escassez hídrica, com cobrança mais alta para os consumidores.
“Dói a gente autorizar o ministro Bento, das Minas e Energias, para decretar a bandeira vermelha, dói no coração. Sabemos as dificuldades da energia elétrica. Vou pedir pra ele, pedir não, determinar que ele volte a bandeira normal a partir do mês que vem”, assinalou o presidente, na noite de quinta-feira (14/10), durante a Conferência Global 2021 – Millenium, realizada pela Igreja Comunidade das Nações.
Antes, na segunda-feira (11/10), o chefe do Executivo federal brincou ao dizer que tinha levado chuva a Guarujá (SP), região onde passou o feriado prolongado. “Eu liguei para São Pedro”, disse.
O presidente afirmou que “todo mundo” está sofrendo com a crise hidrológica, ressaltando que ela é a pior dos últimos 90 anos e que veio acompanhada pela inflação. Disse, no entanto, que a crise energética teria “praticamente” acabado.
“Nós estamos na maior crise – quer dizer, acabou, né, praticamente – a maior crise hidrológica dos últimos 90 anos, todo mundo estava sofrendo com isso, veio inflação atrás, a energia cara. Agora, isso tudo veio daquela política que vocês apoiaram da imprensa: ‘Fica em casa que a economia a gente vê depois’”, discursou.
Inmet e ONS
Na reunião da Creg, os técnicos receberam informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Conforme registrado aos membros da Creg, os resultados apresentados evidenciam a assertividade das prospecções realizadas, bem como a importância das medidas excepcionais em curso, apesar dos custos associados, fruto dos esforços empreendidos especialmente com vistas ao aumento das disponibilidades energéticas e das relevantes flexibilizações hidráulicas em usinas hidrelétricas”, aponta o órgão.
Há, segundo relatório, “possibilidade de ser necessário o uso marginal da reserva operativa para atendimento de potência no cenário conservador apresentado, em alguns momentos do mês de outubro de 2021 e em menor escala nos meses de novembro e dezembro”.
Desse modo, a Creg decidiu permanecer com as flexibilizações hidráulicas nas usinas hidrelétricas Jupiá e Porto Primavera entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022.








