Oposição usará racha do governo com Congresso para emplacar anistia
Estratégias para viabilizar a anistia foram tratadas em reunião do PL nesta segunda (24), que foi adiantada após a prisão de Bolsonaro
atualizado
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Depois de uma reunião estratégica do PL realizada na segunda-feira (24/11), adiantada em razão da prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), integrantes da legenda sinalizaram que podem aproveitar a crise entre o governo e o Legislativo para emplacar a pauta da anistia, uma proposta que vem sendo articulada pela oposição desde o início do ano, mas que até agora não foi aprovada.
A oposição aposta que a divisão entre Lula e a cúpula do Congresso será uma alavanca para que avancem propostas de anistia, explorando fissuras para conquistar apoios. Segundo um desses membros, a anistia pode ser pautada a qualquer momento, pois “tem voto”.
A prisão de Bolsonaro precipitou a mobilização no Partido Liberal. Na sede nacional do PL, em Brasília, estiveram Michelle Bolsonaro e três filhos do ex-presidente, além de parlamentares legenda.
Um dos principais temas do encontro foi justamente destravar a pauta da anistia. Flávio Bolsonaro (PL), que foi porta-voz do encontro depois das discussões, afirmou que a pauta é prioridade na legenda e que não haverá acordo pelo PL da Dosimetria.

O Projeto de Lei da Dosimetria, como foi chamado depois de ir para a relatoria de Paulinho da Força, não livra Bolsonaro nem os condenados pelo 8 de Janeiro da prisão, mas apenas revisaria penas aplicadas em seus processos. O que o PL mira, desde o início, é uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
O líder da oposição no Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou após a reunião que conversou tanto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quanto com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e que a intenção é que a anistia seja pautada ainda para esta semana. “É para isso que estamos trabalhando”, afirmou.
Marinho afirma que Motta tem conversado com líderes da Casa, enquanto as conversas com Alcolumbre estão ajudando a “amadurecer a pauta”.
Na Câmara, onde o projeto será analisado primeiro, a intenção é de que a proposta da anistia seja aprovada por meio de um destaque ao texto do relator — que não prevê o perdão a condenados.
O racha entre governo e Congresso
A manobra da oposição ganha ainda mais força diante de uma crise institucional que se aprofunda entre o Planalto e o Legislativo. Em particular, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rompeu com o líder do PT, Lindbergh Farias, ampliando o desgaste entre Lula e a cúpula do Congresso.
Em paralelo, há atrito com Davi Alcolumbre, que é contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo aliados, recebeu com indignação a decisão de Lula. O nome preferido de Alcolumbre era o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que foi preterido pelo presidente.
No mesmo dia da indicação, na semana passada, Alcolumbre marcou a votação de uma pauta-bomba, o que foi recebido como um claro recado de descontentamento com o Governo Federal.
