Operador questiona Vorcaro sobre mesada a Ciro: “Continua 500k ou pode ser 300k?”. Veja vídeo
Mensagens obtidas pela PF apontam que o senador Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
atualizado
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Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Felipe Vorcaro, primo do empresário, apontam que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebia repasses mensais em valores que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. O parlamentar foi alvo de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). Veja:
Um trecho da conversa consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou a ação da PF.
Vorcaro teria se queixado de atrasos nos pagamentos a “Ciro”. Felipe, então, questiona se deveria continuar pagando “500k” [R$ 500 mil] ou poderia “ser os “300k” [R$ 300 mil]. Segundo a PF, o diálogo indica que houve aumento no valor transferido ao senador.
Veja o trecho da conversa:
- [28/1/2025] FELIPE VORCARO: “Oi, Daniel, tudo bem? Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pgtos. parceiro brgd, mas fluxo esta indo praticamente todo para o btg e ainda estou precisando aportar valores altos todo mes. Amanhã, estarei o dia todo em SP, tem
algum horário que poderíamos falar?” - [28/1/2025] DANIEL VORCARO: “Estou na Venezuela”.
- [28/1/2025] DANIEL VORCARO: “Resolve isso pra mim”.
- [28/1/2025] DANIEL VORCARO: “Eu ponho dinheiro depois para repor”.
- [30/6/2025] DANIEL VORCARO: “Cara, eu, no meio dessa guerra, atrasou dois meses o Ciro?”
- [30/6/2025] FELIPE VORCARO: “Vou ver se dou um jeito aqui. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
O relatório da PF indica que a relação entre Ciro Nogueira e o banqueiro extrapolava a “mera amizade“, o “vínculo fraternal” ou “atuação política regular”, e configura trocas financeiras e políticas, que são descritas na investigação.
Além dos pagamentos mensais, a apuração aponta que Vorcaro bancava hospedagens, deslocamentos e demais despesas inerentes a viagens internacionais de luxo ao senador.
De acordo com as investigações, os repasses para o senador eram feitos por meio da “parceria BRGD/CNLF”, pessoa jurídica. As operações eram tocadas por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Cançado é apontado como operador financeiro no esquema de pagamentos ao senador. Ele teve a prisão temporária decretada.
No caso, a sigla BRGD se refere à empresa BRGD S.A., que tinha como diretor Oscar Vorcaro, pai de Felipe Cançado. A outra sigla da parceria se refere à CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que é irmão de Ciro Nogueira e também foi alvo da Polícia Federal nesta quinta.
A defesa do senador Ciro Nogueira informou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
“Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, destacou em nota.
Os advogados ponderam, ainda, que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”.






















