O que diz psiquiatra de Flordelis e Zambelli sobre surto de Bolsonaro

Especialista vê hipótese “crível e sustentável” de episódio psíquico em Bolsonaro ao tentar violar tornozeleira com ferro de solda

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Jair Bolsonaro em frente à sua residência. Brasília (DF), 03/09/25
1 de 1 Jair Bolsonaro em frente à sua residência. Brasília (DF), 03/09/25 - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Hewdy Lobo, o psiquiatra que já atendeu Flordelis e Carla Zambelli, afirmou acreditar que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha passado por um episódio psíquico agudo e que o recomendável seria que o ex-chefe do Palácio do Planalto cumprisse a pena de 27 anos em prisão domiciliar humanitária.


Entenda

  • Psiquiatra diz que Bolsonaro pode ter tido episódio psíquico agudo.
  • Problemas intestinais e cirurgias pós-facada podem afetar absorção de medicamentos.
  • Defesa listou ao STF seis doenças crônicas de Bolsonaro.

Hewdy Lobo atua em psiquiatria forense e psicologia jurídica e já acompanhou casos de grande repercussão. Além de Flordelis e Zambelli, trabalhou nos processos envolvendo Suzane von Richthofen — condenada pelo assassinato dos pais — e Adélio Bispo, autor da facada desferida contra o próprio Bolsonaro em 2018.

Para ele, o possível surto ocorrido na última sexta-feira (21/11), quando Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica com ferro de solda, indica uma alteração psíquica, mas não um delírio, já que o comportamento do ex-presidente teria apresentado método, e não parecia totalmente desorganizado.

“Só de ter registro médico, automaticamente, baseado no princípio da boa-fé esperada, entende-se que, se esta não é uma conclusão definitiva, pelo menos trata-se de uma hipótese crível, explicável e sustentável, por profissionais que conhecem o paciente de longo prazo”, diz.

O especialista ressaltou ainda que, devido à facada sofrida por Bolsonaro e aos problemas intestinais que ele enfrenta, a absorção de medicamentos pode ser afetada, favorecendo alterações mentais semelhantes às apontadas pela defesa no pedido de prisão humanitária ao STF.

“O fato do paciente idoso, com múltiplas doenças, usando muitos remédios, ter absorção intestinal alterada dos medicamentos e alimentos, aumenta a probabilidade de ocorrerem reações e efeitos colaterais indesejáveis físicos e psíquicos, como, por exemplo, ter entendimentos alterados da realidade de forma transitória, com restabelecimento posterior, na condição neuropsiquiátrica e clínica chamada Delirium, que é menos provável, porque parece que o comportamento teve um nível de elaboração, que não é comum nesta condição clínica”, disse.

Bolsonaro está cumprindo pena na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. O ex-presidente alegou ao Supremo possuir seis doenças que tornariam “incompatível” seu encarceramento no Complexo Penitenciário da Papuda.

Os documentos encaminhados à Corte incluem laudos, tomografias, exames cardiológicos e relatórios médicos produzidos entre 2019 e 2025. Bolsonaro apresenta quadro clínico considerado de alta complexidade, envolvendo sistemas cardiovascular, pulmonar, gastrointestinal, neurológico e oncológico.

Após a decretação da execução da pena, a família do ex-presidente já defendeu que o local mais adequado para que ele cumpra a prisão é na sua residência no Jardim Botânico (DF).

Laudos

Segundo a defesa de Bolsonaro, ele apresenta quadro clínico que inclui refluxo gastroesofágico com esofagite, hipertensão essencial primária, doença aterosclerótica do coração, oclusão e estenose de carótidas, apneia do sono grave e neoplasia cutânea.

Além disso, em decorrência da facada sofrida durante as eleições de 2018, o ex-presidente enfrenta episódios de soluços persistentes e incapacitantes. A sintomatologia, apontam os laudos, seria sequela das cirurgias abdominais realizadas após o atentado e já teria provocado falta de ar e desmaios, levando-o ao hospital em diferentes ocasiões.

O laudo apresentado ao STF indica que o controle do quadro exige ajuste diário de medicamentos que atuam no sistema nervoso central. O relatório médico também reforça algumas consequências consideradas irreversíveis do atentado e das cirurgias sucessivas, como:

  • atrofia parcial da parede abdominal;
  • hérnias residuais;
  • aderências intestinais extensas;
  • perda de grande parte do intestino grosso;
  • risco permanente de obstrução intestinal;
  • dor abdominal recorrente;
  • efeitos psicológicos duradouros.

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