Novo ministro da Defesa quer Brasil de volta a missões de paz da ONU
Brasil participa, ao lado de 40 países, de exercício militar que simula missão de paz em Midland, país fictício conflagrado

O primeiro compromisso público do novo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e do novo comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, é um exercício militar que engloba 40 países simulando uma operação de paz em um país fictício em profunda crise política e econômica.
A nova cúpula militar do Brasil recebeu colegas brasileiros e estrangeiros, além de parlamentares e representantes da imprensa no Comando Militar do Planalto, em Brasília, na manhã desta terça-feira (5/4). No evento, o novo ministro disse ter como objetivo a volta de militares brasileiros às missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
O exercício militar internacional chama-se Viking 22, teve início em 28 de março e vai até 7 de abril. Na prática, trata-se de uma espécie de jogo virtual no qual os jogadores são militares e civis dos países participantes, que têm o objetivo de trabalhar de maneira coordenada para lidar com os problemas que vão aparecendo durante a missão de paz no país fictício de Midland, que fica no norte da Europa (região dos países nórdicos).
A simulação foi criada pelas Forças Armadas da Suécia, que coordenam esse exercício a cada quatro anos, com complexidade crescente. Neste ano, são quase 1,8 mil pessoas envolvidas, incluindo 180 brasileiros.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa situação simulada, Midland passou por uma grave crise política e econômica após uma sangrenta guerra civil e precisou de ajuda internacional para lidar com terrorismo, milícias, militares que se rebelaram e a crise humanitária que resultou disso tudo.
As situações que os militares enfrentam nesse jogo são ataques às sedes, sequestros de membros da missão de paz, roubo de doações humanitárias e problemas de integração entre as diferentes forças.
O que se simula é uma grande missão de paz da ONU com participação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Para reforçar a coordenação, alguns dos participantes viajaram para outros países. Na sede brasileira do exercício, por exemplo, há militares de países como França, Argentina, Peru, Chile, México, Guatemala e Uruguai, além da própria Suécia.
Novo comando
Chefe do Exército há menos de uma semana, o general Marco Antônio Freire Gomes discursou no evento público em Brasília e afirmou que está “debutando” no posto, mas disse que “o espírito continua o mesmo” e lembrou que o novo ministro é seu “antigo comandante”.
Antes de assumir o comando do Exército, Freire Gomes estava à frente do Comando de Operações Terrestres (Coter), que faz a coordenação entre a Força e as polícias militares. Já o general Paulo Sérgio Nogueira comandava o Exército antes de ser convocado a substituir o general Braga Netto no Ministério da Defesa, no último dia 1° de abril.
O novo ministro discursou por último e afirmou tem a “felicidade” de, “no meu segundo dia como ministro, participar de exercício de tamanha envergadura numa coisa latente nos dias atuais, que são as operações de paz”. Para o militar, “o Brasil tem tradição em missões de paz e pode contribuir com boas práticas e ensinamentos”.
A última missão desse tipo com a participação do país foi no Haiti até 2017, mas o ministro acha que o país está preparado para novos desafios. “Espero que nosso país volte a mandar tropas efetivas para missões de paz, retorne como fez no Haiti, a ter tropas em missões de paz”, concluiu ele, que não respondeu a perguntas da imprensa nesse primeiro evento.















