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O atual diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado, o delegado Maurício Leite Valeixo, será nomeado chefe da Superintendência da Polícia Federal no Paraná (SRPR). A troca é estratégica e faz parte das mudanças que devem ocorrer na cúpula da PF com a nomeação de Fernando Segóvia para a direção-geral da instituição. 

Valeixo manteve proximidade com o juiz Sérgio Moro ao longo dos trabalhos envolvendo a maior investigação de corrupção na história do país. A ida dele para despachar em Curitiba é um sinal de boa vontade do novo diretor com a Lava Jato. A indicação de Segóvia para o cargo tem sido alvo de desconfiança quanto à linha que ele adotará em relação à aludida Operação. Há uma ligação conhecida entre ele e figurões do PMDB, partido do presidente Michel Temer.

Segóvia já fechou a lista com os nomes que assumirão a cúpula da instituição. O ex-secretário de Segurança do DF Sandro Avelar vai ficar à frente da Direção Executiva (Direx) da PF, o segundo posto na hierarquia. Com a saída de Valeixo da Dicor, quem assume é o delegado Eugênio Ricas, atualmente secretário estadual de Controle e Transparência no Espírito Santo.

Haverá mudança também na Divisão de Inteligência (DIP), outra área considerada sensível na instituição. O posto será ocupado pelo delegado Cláudio Gomes. Ele é ex-corregedor-geral da PF e ex-adido da corporação em Lisboa, Portugal. O delegado substituirá Elton Roberto Manzke. Já o delegado Alfredo Junqueira vai para a diretoria de Administração e Logística Policial (Delog).

Um brasiliense na cúpula da PF
Com a indicação de Sandro Avelar para assumir a Direção Executiva da PF vieram rumores de que sua nomeação tinha essencialmente viés político. O delegado foi secretário de Segurança na gestão de Agnelo Queiroz (PT) entre 2011 e 2014. Filiado ao PMDB, a ligação de Avelar sempre foi muito mais próxima ao ex-vice-governador Tadeu Filippelli do que a Agnelo. Nas últimas eleições, o policial chegou a sair candidato para a Câmara dos Deputados. Alcançou 21.888 votos.

Além do bom trânsito político, Avelar é muito amigo de Segóvia. No final dos anos 80, foram colegas no curso de Direito na Universidade de Brasília (UnB). Eram responsáveis pelo Centro Acadêmico e jogavam futebol juntos, no time da faculdade de Direito, hábito que levaram para a PF.

 

 

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